Economia

Veto europeu à carne brasileira gera crise comercial e acusações de protecionismo

Bloco europeu veta proteína brasileira alegando riscos sanitários, enquanto Brasília aponta barreira comercial injustificada.

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Redação 360 Notícia
13 de maio de 2026 às 16:002 min
Veto europeu à carne brasileira gera crise comercial e acusações de protecionismo
Foto: Reprodução
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A União Europeia suspendeu a importação de carnes do Brasil sob argumentos sanitários, desencadeando uma crise diplomática. O governo federal brasileiro contesta a decisão, apontando protecionismo comercial em favor de produtores europeus.

A Comissão Europeia oficializou a suspensão das importações de proteína animal proveniente do Brasil, com previsão para que a medida entre em vigor em setembro de 2026. A justificativa oficial do bloco europeu baseia-se em preocupações com a saúde pública, especificamente no controle do uso de antimicrobianos no gado, o que poderia gerar resistência bacteriana. No entanto, o anúncio causou surpresa e indignação no governo brasileiro, que vê na decisão um caráter protecionista voltado a favorecer os produtores rurais locais após a consolidação do acordo entre Mercosul e União Europeia.

Um dos pontos centrais da controvérsia é o tratamento diferenciado dado ao Brasil em relação aos seus vizinhos. Enquanto o mercado brasileiro enfrenta o veto, outros exportadores do Mercosul, como Argentina, Uruguai e Paraguai, mantiveram suas autorizações de venda. Críticos apontam que Bruxelas utiliza o rigor sanitário como uma barreira técnica seletiva para frear o maior competidor do setor, atendendo a pressões de agricultores europeus que protestam contra a concorrência externa. O sistema de rastreabilidade nacional é defendido por Brasília, que destaca quatro décadas de exportações seguras para o continente europeu.

No campo diplomático, a proibição é interpretada como um revés político direto para o governo brasileiro, ocorrendo poucos dias após a implementação do tratado comercial entre os dois blocos. Caso a medida se torne definitiva, os prejuízos financeiros podem ultrapassar a marca de 1,8 bilhão de dólares anuais. O Ministério da Agricultura e o Itamaraty já sinalizaram que pretendem contestar o veto em instâncias internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), sob o argumento de que a restrição é arbitrária e carece de embasamento técnico que a diferencie dos demais fornecedores mundiais.

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