BP demite presidente do conselho por falhas de conduta e ações despencam 10% na Bolsa
Albert Manifold deixa o cargo em meio a acusações de falhas na supervisão e conduta inaceitável; ações da petroleira despencaram em Londres.

A BP anunciou a destituição imediata de Albert Manifold do cargo de presidente do conselho, citando falhas graves de conduta e gestão. A decisão ocorre em meio a uma crise de liderança que já dura anos, impactando as ações da petroleira e gerando incertezas sobre sua nova estratégia de combustíveis fósseis.
A gigante do setor petrolífero BP vive um novo capítulo de instabilidade em sua cúpula administrativa. Nesta terça-feira (26), a companhia anunciou a destituição imediata de Albert Manifold, que ocupava o cargo de presidente do conselho de administração. A decisão, que pegou o mercado financeiro de surpresa, foi justificada pela empresa como uma resposta a falhas graves de gestão, insuficiência na supervisão de atividades cruciais e comportamentos que divergem dos padrões éticos e profissionais exigidos pela organização. A saída de Manifold ocorre em um momento delicado, no qual a petroleira tenta consolidar uma nova diretriz estratégica voltada para o retorno aos combustíveis fósseis.
A crise de liderança na BP não é um evento isolado, mas o ápice de uma série de turbulências que assolam o alto escalão da empresa nos últimos anos. O histórico recente de instabilidade inclui a demissão de Bernard Looney, antigo CEO, que foi desligado após a descoberta de que omitiu informações sobre relacionamentos pessoais mantidos com subordinados. Posteriormente, o sucessor Murray Auchincloss também deixou a companhia de forma abrupta em dezembro passado, sem que explicações detalhadas fossem fornecidas ao público ou aos acionistas. Esse cenário de "cadeiras musicais" na presidência e no conselho tem gerado questionamentos severos sobre a cultura corporativa e os processos de seleção de executivos da BP.
De acordo com o comunicado oficial emitido pela companhia, a diretora independente sênior Amanda Blanc — que teve papel central na indicação de Manifold em outubro — expressou decepção com os fatos revelados recentemente. Blanc afirmou que o conselho agiu de forma decisiva ao tomar conhecimento de condutas consideradas inaceitáveis. Embora a BP não tenha detalhado especificamente quais foram as ações de Manifold que levaram ao seu desligamento, o termo "padrões de governança" sugere uma quebra de confiança ou falha em protocolos internos que deveriam garantir a transparência e a integridade da gestão frente aos investidores e reguladores.
A repercussão no mercado financeiro foi imediata e severa. Após a divulgação da notícia, as ações da BP listadas na Bolsa de Valores de Londres registraram uma queda acentuada de quase 10%, o que forçou a interrupção temporária das negociações dos papéis da empresa. O pânico dos investidores reflete o medo de que a instabilidade política interna da petroleira prejudique a execução de seu novo plano de negócios. Manifold havia sido peça-chave na recente nomeação de Meg O'Neill como CEO, a quinta pessoa a ocupar o cargo desde 2020. O objetivo dessa nova gestão era desacelerar os investimentos em transição energética e focar novamente na exploração pesada de petróleo e gás, visando lucros rápidos em um cenário global de preços de energia voláteis.
Para o investidor e para o mercado global, incluindo o setor energético no Brasil, a crise na BP serve como um alerta sobre a importância da governança corporativa (ESG) em grandes corporações. A Elliott Management, fundo ativista que detém cerca de 5% da companhia, tem pressionado por mudanças, e o novo vácuo de liderança pode dar margem para intervenções ainda mais profundas na estratégia da empresa. Nos próximos meses, a BP deverá trabalhar intensamente para restaurar a credibilidade perante os acionistas, enquanto tenta encontrar um nome capaz de pacificar o conselho e garantir que a nova rota estratégica não seja descarrilada por problemas de conduta pessoal ou administrativa de seus líderes.






