Sobrevivente de naufrágio em Ilhabela é resgatada com vida após dois dias à deriva
Bruna Damaris foi localizada após três dias de buscas intensas, enquanto equipes seguem procurando pelo acompanhante que continua desaparecido.

A jovem Bruna Damaris, de 26 anos, foi encontrada viva em alto-mar na manhã desta terça-feira após passar dois dias desaparecida no litoral de SP. As buscas continuam para localizar seu acompanhante, Dheoge Bernardino, que ainda não foi encontrado pelas equipes do GBMar e da Marinha.
Após três dias de intensas buscas em uma das áreas mais desafiadoras do litoral paulista, equipes de resgate conseguiram localizar com vida a jovem Bruna Damaris Sant’anna da Silva, de 26 anos, na manhã desta terça-feira (26). A vítima estava desaparecida desde o último domingo, quando saiu para um passeio de moto aquática na região de Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo. O Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) confirmou o resgate em alto-mar, classificando o desfecho parcial como um alento diante do cenário de alto risco enfrentado pela dupla durante o período de deriva.
O incidente teve início na tarde de domingo (24), durante uma confraternização entre amigos em uma lancha na região da Praia Ponta das Canas, situada no extremo sul do arquipélago de Ilhabela. Segundo os relatos colhidos pelas autoridades, Bruna e Dheoge Pereira Bernardino, de 28 anos, deixaram a embarcação principal por volta das 16h para um passeio rápido a bordo da moto aquática. O grupo notou o desaparecimento após cerca de uma hora e meia sem o retorno da dupla, que não havia informado um destino específico para o trajeto, o que dificultou as buscas iniciais realizadas por civis antes do acionamento oficial das forças de segurança.
A operação de busca e salvamento mobilizou esforços conjuntos do GBMar e da Marinha do Brasil, utilizando embarcações e aeronaves para varrer a área oceânica. Um ponto crucial da investigação ocorreu na segunda-feira (25), quando a moto aquática utilizada pelo casal foi localizada à deriva a aproximadamente 22 quilômetros de distância do ponto onde tinham sido vistos pela última vez. O veículo foi encontrado vazio, o que elevou o nível de alerta e direcionou os trabalhos para a busca de sobreviventes na água, considerando as correntes marítimas predominantes naquela porção do Atlântico.
De acordo com o capitão Eduardo Campanhola, porta-voz do GBMar, Bruna foi encontrada em uma região de alto-mar, enfrentando condições climáticas e de temperatura da água que tornam a sobrevivência prolongada um desafio biológico imenso. No momento da localização, as equipes priorizaram a estabilização da jovem e o transporte imediato para suporte médico qualificado. Embora o estado clínico detalhado ainda não tenha sido divulgado oficialmente, o resgate com vida após mais de 40 horas de exposição aos elementos é considerado um evento raro em ocorrências dessa natureza.
Apesar da boa notícia sobre o resgate de Bruna, as autoridades ressaltam que a operação ainda está longe de ser encerrada. Dheoge Pereira Bernardino continua desaparecido, e as buscas por ele foram intensificadas nesta terça-feira, contando com o apoio de radares e análise satelital da movimentação das ondas. O foco agora é tentar determinar se o casal se separou em algum momento ou se a correnteza levou o rapaz para uma zona distinta de onde a jovem foi avistada. A Marinha do Brasil deve abrir um inquérito administrativo para apurar as causas e circunstâncias do acidente, verificando aspectos como habilitação náutica, uso de equipamentos de segurança (coletes salva-vidas) e as condições de manutenção do veículo aquático.
Para o setor de turismo e náutica do Litoral Norte de São Paulo, o episódio reacende o debate sobre a segurança em atividades de lazer no mar. Especialistas alertam que a região de Ilhabela possui correntes verticais e ventos sazonais que podem rapidamente empurrar embarcações de pequeno porte para o oceano aberto, onde a orientação visual com a costa é perdida. A recomendação padrão é que passeios de moto aquática sejam sempre informados a marinas ou centros de controle, e que os ocupantes nunca retirem os coletes, que são o fator determinante entre a vida e a morte em casos de queda ou pane mecânica em locais isolados.





