EMS produzirá 40 milhões de canetas de nova semaglutida em fábrica de SP
Com investimento de R$ 1,2 bilhão, farmacêutica brasileira lança Ozivy e projeta faturamento de R$ 500 milhões no primeiro ano de mercado.

A EMS anunciou a produção do Ozivy, a primeira semaglutida nacional, em sua fábrica de Hortolândia. Com investimento de R$ 1,2 bilhão e capacidade para 40 milhões de canetas anuais, o medicamento promete ser 30% mais barato que o Ozempic e chegará às farmácias em até 30 dias.
O mercado farmacêutico brasileiro registrou um marco histórico nesta semana com o anúncio da EMS sobre o início da produção do Ozivy, a primeira semaglutida desenvolvida por uma empresa nacional após o fim da patente da Novo Nordisk. Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (26), o vice-presidente da farmacêutica, Marcus Sanchez, detalhou os planos para a planta industrial de Hortolândia, no interior de São Paulo. A unidade possui uma capacidade produtiva instalada impressionante, podendo fabricar até 40 milhões de canetas injetáveis por ano. O registro do medicamento já foi publicado no Diário Oficial da União, consolidando a entrada da empresa em um dos segmentos mais promissores e disputados da medicina moderna: o tratamento de doenças metabólicas com análogos do GLP-1.
A chegada do Ozivy acontece em um momento estratégico, logo após o encerramento da propriedade intelectual da fórmula original no Brasil, ocorrido em março deste ano. A semaglutida, princípio ativo que se tornou fenômeno global através de marcas como Ozempic e Wegovy, revolucionou as abordagens terapêuticas para diabetes tipo 2 e obesidade. Para viabilizar este projeto, a EMS realizou um investimento vultoso de R$ 1,2 bilhão em sua plataforma de produção. Diferente do que ocorre com medicamentos genéricos comuns, o Ozivy foi classificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como um "medicamento novo", o que ressalta o caráter de inovação incremental e a robustez técnica do desenvolvimento nacional realizado pela farmacêutica brasileira.
Embora a capacidade da fábrica seja de 40 milhões de unidades, a estratégia de mercado da EMS prevê um crescimento escalonado. De imediato, serão disponibilizadas cerca de 350 mil unidades para abastecer as redes de farmácias em todo o país. A projeção para o primeiro ano de comercialização é atingir a marca de 1,3 milhão de canetas vendidas, o que deve gerar um faturamento superior a R$ 500 milhões para a companhia. Marcus Sanchez destacou que a estrutura em Hortolândia foi planejada para operar muito acima da demanda inicial, garantindo que não haja desabastecimento — um problema recorrente que afetou as versões importadas do medicamento nos últimos anos devido à explosão da demanda global.
Um dos pontos mais relevantes para o consumidor brasileiro é a promessa de maior acessibilidade financeira. A EMS informou que o Ozivy chegará às prateleiras com um preço aproximadamente 30% inferior ao praticado pelo Ozempic. Esta redução é fundamental em um cenário onde o tratamento, muitas vezes de uso contínuo, representa um peso significativo no orçamento das famílias. O medicamento deve estar disponível para venda em um prazo máximo de 30 dias. No entanto, é importante ressaltar que, nesta fase inicial, a bula aprovada foca exclusivamente no tratamento do diabetes, seguindo os protocolos regulatórios. A empresa já protocolou junto à Anvisa os pedidos para expansão das indicações terapêuticas, visando incluir oficialmente o tratamento da obesidade, o que deve ampliar significativamente o público-alvo.
O sucesso do Ozivy pode reposicionar o Brasil como um polo produtor de biotecnologia de ponta. A expectativa da EMS é que este produto se torne a sua maior fonte de receita nos próximos 12 meses, refletindo o potencial reprimido de pacientes que buscam alternativas eficazes para o controle glicêmico e metabólico. Além do impacto econômico e da geração de empregos qualificados no interior paulista, a nacionalização da produção de semaglutida oferece uma camada extra de segurança sanitária ao país, reduzindo a dependência de importações e vulnerabilidades logísticas internacionais. O setor agora observa atentamente como a concorrência reagirá à entrada deste player nacional com grande capacidade de escala e preços agressivos.



