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Lula apoia fim da escala 6x1 e ressalta impacto das tarefas domésticas na vida das mulheres

Presidente destaca que carga horária atual sacrifica mulheres com dupla jornada doméstica e defende revisão da PEC.

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Redação 360 Notícia
26 de maio de 2026 às 16:003 min
Lula apoia fim da escala 6x1 e ressalta impacto das tarefas domésticas na vida das mulheres
Foto: Reprodução
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O presidente Lula defende o fim da escala 6x1, destacando que a jornada exaustiva prejudica especialmente as mulheres, que enfrentam a dupla jornada com tarefas domésticas. A proposta busca modernizar as leis trabalhistas e garantir mais qualidade de vida e tempo para a família.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apoio formal à proposta de emenda à constituição que visa extinguir a jornada de trabalho no modelo 6x1, em que o empregado trabalha seis dias e folga apenas um. Durante um pronunciamento recente, o chefe do Executivo brasileiro destacou que a mudança na legislação trabalhista é uma necessidade urgente para melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora, enfatizando que o atual regime de escala gera um desgaste físico e mental desproporcional, impedindo que o cidadão tenha tempo para o lazer, a educação e o convívio familiar.

Um dos pontos centrais da fala do presidente foi a diferenciação do impacto dessa carga horária entre homens e mulheres. Lula argumentou que a situação feminina é consideravelmente mais crítica devido à persistência da "dupla jornada". Segundo o mandatário, enquanto o homem muitas vezes encerra suas obrigações ao sair da empresa, a mulher enfrenta uma realidade "mais grave", pois precisa lidar com as tarefas domésticas acumuladas. Ele citou exemplos práticos do cotidiano, como a limpeza de banheiros, a lavagem de louças e o cuidado geral com a manutenção da casa e dos filhos, tarefas que historicamente recaem sobre o público feminino e que não são remuneradas ou reconhecidas como trabalho formal.

O tema do fim da escala 6x1 ganhou tração nas redes sociais e no Congresso Nacional após uma forte mobilização popular liderada pelo movimento Vida Além do Trabalho (VAT). A discussão sobre a redução da jornada semanal de 44 horas para patamares menores, sem redução salarial, reflete uma tendência global de revisão das relações trabalhistas no pós-pandemia. No Brasil, o debate ganha contornos específicos devido à grande massa de trabalhadores em setores de serviço e comércio, onde a folga única semanal é a regra. Especialistas em sociologia do trabalho apontam que a exaustão causada por esse modelo contribui para o aumento de casos de burnout e doenças ocupacionais, gerando custos indiretos para o sistema público de saúde.

Para o leitor brasileiro, a relevância dessa discussão é direta. A proposta mexe com a estrutura de custos das empresas, mas também promete injetar dinamismo na economia através do aumento do consumo de lazer e serviços durante os dias de folga adicionais. No entanto, o foco dado por Lula à questão de gênero toca em uma ferida aberta da sociedade brasileira: a desigualdade na divisão do trabalho doméstico. Dados do IBGE corroboram a fala presidencial, indicando que mulheres dedicam quase o dobro de horas que os homens em afazeres domésticos e cuidados com pessoas. Ao vincular o fim da escala 6x1 à pauta feminista, o governo tenta ampliar a base de apoio à medida, tratando-a como uma política de justiça social e reparação histórica.

Os próximos passos envolvem uma complexa articulação política na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) precisa de quórum qualificado para ser aprovada e enfrenta resistência de setores patronais, que alegam risco de aumento nos preços de produtos e serviços. Por outro lado, o governo sinaliza que está disposto a mediar o diálogo entre sindicatos e confederações empresariais. Espera-se que, nos próximos meses, a pauta avance para comissões temáticas, onde o texto será detalhado, prevendo possíveis períodos de transição para que o mercado se adapte ao novo modelo de jornada reduzida, buscando um equilíbrio entre produtividade e bem-estar social.

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