Polícia desarticula grupo de sequestradores na Bahia: cinco presos e um morto em operação
Operação Lex Última mira criminosos que monitoravam e extorquiam ex-político; mentor do grupo já integrou o Baralho do Crime da SSP.

Operação Lex Última desarticula quadrilha especializada em extorsão mediante sequestro na Bahia. Ação resultou em cinco prisões e um suspeito morto após confronto com a polícia. Grupo monitorava rotina de ex-político e contava com mentor integrante do Baralho do Crime.
Uma intensa ofensiva policial deflagrada nesta terça-feira (26) resultou na desarticulação de uma perigosa quadrilha especializada em extorsão mediante sequestro que atuava no estado da Bahia. Batizada de "Operação Lex Última", a ação foi coordenada pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC), por meio da Delegacia Especializada Antissequestro (DAS), e teve como foco o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão na capital baiana, Salvador, e nas cidades de Serrinha e Catu. O balanço parcial da intervenção aponta para cinco prisões efetuadas e um óbito decorrente de confronto direto com as forças de segurança durante o cumprimento das ordens judiciais.
As investigações que levaram a essa operação tiveram início após um crime ocorrido no dia 28 de janeiro deste ano. Na ocasião, um ex-político de 59 anos, cuja identidade foi preservada, foi abordado e sequestrado no final da tarde, no bairro de Sete Portas, em Salvador. A vítima foi levada à força para um cativeiro estratégico situado na região da Baixinha de Santo Antônio, no bairro de São Gonçalo do Retiro. O planejamento do grupo era meticuloso: as apurações indicam que os criminosos monitoraram os passos do ex-político por semanas, estudando seu perfil financeiro e sua rotina diária para garantir que o sequestro fosse executado com precisão cirúrgica no momento de maior vulnerabilidade.
O caso ganhou contornos dramáticos quando a vítima, demonstrando resiliência, conseguiu escapar do cativeiro ainda na noite do crime, aproveitando-se de uma falha de vigilância dos algozes. Entretanto, o fim do cárcere privado não significou o fim do tormento. Mesmo após a fuga, o bando continuou a aterrorizar o ex-político por meio de extorsões sistemáticas. Os criminosos exigiam quantias em dinheiro para cessar as ameaças, demonstrando a audácia da organização. Entre os presos na operação de hoje, destaca-se uma jovem de 20 anos, detida no Engenho Velho de Brotas. Segundo a Polícia Civil, ela desempenhava um papel central na estrutura criminosa, agindo como a ponte das negociações de extorsão entre os líderes do grupo e a vítima.
Um dos pontos críticos da Operação Lex Última ocorreu no município de Catu, onde Isaac Santos Ferreira, de 25 anos, reagiu violentamente à tentativa de prisão. Durante o cerco, o investigado disparou contra os policiais, iniciando um confronto armado. Isaac foi atingido e prontamente socorrido para um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu. Com ele, as autoridades apreenderam uma arma de fogo e identificaram sua forte ligação com o tráfico de drogas, além de sua subordinação direta à liderança da organização investigada. A polícia reforça que o grupo tinha uma estrutura hierárquica bem definida, mesclando crimes de sequestro com o controle de pontos de venda de entorpecentes.
A inteligência da Polícia Civil aponta Demilson Sales das Neves, de 36 anos, como o mentor intelectual de toda a ação contra o ex-político. Demilson é uma figura conhecida no meio policial baiano, tendo integrado anteriormente o "Baralho do Crime" da Secretaria de Segurança Pública (SSP), uma ferramenta que lista os criminosos mais procurados do estado. Seu histórico é extenso e violento, incluindo extorsões recorrentes contra comerciantes no bairro de Pernambués e participação direta em outro sequestro de grande repercussão ocorrido em um centro comercial de Salvador, onde três mulheres foram mantidas em cárcere. A prisão de figuras com esse perfil representa um golpe significativo no crime organizado local.
Para o leitor brasileiro e, especificamente, para a sociedade baiana, operações como a Lex Última são vitais para restaurar a sensação de segurança pública em um cenário de crescente audácia das facções. O uso de monitoramento de rotina e o perfilamento de figuras públicas ou ex-agentes do estado mostram que o crime organizado na Bahia atingiu um nível de sofisticação que exige respostas tecnológicas e de inteligência por parte das polícias. O desdobramento natural deste caso será o interrogatório dos cinco detidos, que poderão revelar novos nomes e possíveis conexões com outras células criminosas que operam na região metropolitana de Salvador e no interior do estado.





