Economia

Ações da Ferrari recuam após lançamento do Luce, primeiro superesportivo elétrico da marca

Apresentação do modelo Luce, com design assinado por ex-designer da Apple, gera polêmica e queda de 8,37% nas ações em Milão.

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Redação 360 Notícia
26 de maio de 2026 às 18:003 min
Ações da Ferrari recuam após lançamento do Luce, primeiro superesportivo elétrico da marca
Foto: Reprodução
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A estreia do Ferrari Luce, primeiro modelo 100% elétrico da marca, provocou uma queda de mais de 8% nas ações em Milão. Com design assinado por Jony Ive e 1.050 cv, o veículo divide opiniões ao abandonar traços clássicos em favor de um estilo minimalista inspirado na Apple.

A tradicional fabricante italiana de automóveis de luxo, Ferrari, atravessa um momento de forte turbulência no mercado financeiro global após a revelação oficial do seu primeiro veículo totalmente elétrico, batizado de Luce. Apresentado na última segunda-feira (25), o modelo representa um marco histórico para a companhia de Maranello, mas o impacto inicial entre investidores e entusiastas foi negativo. Na Bolsa de Valores de Milão, as ações da montadora registraram um tombo expressivo de 8,37% nesta terça-feira (26), evidenciando a cautela do mercado diante de uma mudança de paradigma tão radical na identidade da marca conhecida pelo ronco de seus motores a combustão.

O movimento de desvalorização levou os papéis da empresa a encerrarem o pregão cotados a 284,05 euros, uma queda acentuada em comparação aos 310 euros registrados no fechamento do dia anterior. Essa reação negativa reflete não apenas o receio dos investidores sobre a aceitação do público fiel ao purismo mecânico da Ferrari, mas também uma crítica direta à estética e à proposta do novo veículo. O Luce não é apenas o primeiro carro elétrico da marca, mas também o primeiro modelo configurado com cinco lugares, o que rompe com décadas de tradição focada em esportivos de dois lugares ou configurações 2+2 mais compactas.

Um dos pontos centrais da controvérsia reside na parceria criativa para o desenvolvimento do design. A Ferrari concedeu liberdade total ao estúdio Lovefrom, fundado por Jony Ive, o renomado ex-designer da Apple responsável por ícones como o iPhone e o iMac. O resultado é um veículo que adota uma filosofia minimalista e futurista, com linhas arredondadas e proporções que remetem mais a um utilitário convencional do que aos traços agressivos e aerodinâmicos que definiram a história da montadora. Enquanto o interior exibe telas com cantos arredondados e interfaces simplistas típicas do ecossistema Apple, o exterior apresenta soluções exóticas, como limpadores de para-brisa verticais e um capô flutuante, que não foram bem recebidos nas redes sociais e por especialistas do setor automotivo.

Apesar das críticas visuais, os dados técnicos do Ferrari Luce são superlativos e buscam justificar o preço sugerido de US$ 610 mil (aproximadamente R$ 3,2 milhões). O modelo é equipado com quatro motores elétricos independentes, um para cada roda, gerando uma potência combinada de 1.050 cv. Essa configuração permite que o Luce acelere de 0 a 100 km/h em apenas 2,5 segundos, atingindo os 200 km/h em 6,8 segundos. A velocidade máxima é limitada em 310 km/h, números que o colocam no topo da cadeia de desempenho dos elétricos de luxo. A autonomia também é robusta, superando os 530 km graças a um conjunto de baterias de 122 kWh compatível com sistemas de recarga ultrarrápida de 800V.

O cenário agora é de observação para o leitor brasileiro e para o mercado global. A Ferrari afirma que o Luce representa uma "Ferrari 360º", indicando que a eletrificação não deve comprometer a essência da marca, mas sim expandi-la para novos horizontes. No entanto, o desafio será convencer os colecionadores de que a exclusividade e a emoção de dirigir uma Ferrari podem sobreviver à ausência do motor V12 e ao design "tecnológico" de Jony Ive. A queda nas ações serve como um alerta de que a transição energética para marcas de ultra-luxo exige um equilíbrio delicado entre inovação radical e o respeito ao legado histórico que sustenta o valor dessas companhias no longo prazo.

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