Dólar avança com nova escalada de tensão no Oriente Médio e ataques dos EUA ao Irã
Moeda americana sobe para R$ 5,02 após investidores reagirem a novos ataques militares no Irã e incertezas sobre o abastecimento de petróleo.

O dólar operou em alta nesta terça-feira, chegando a R$ 5,0210, após novos ataques militares dos Estados Unidos no Irã. A tensão no Estreito de Ormuz gera volatilidade no preço do petróleo e pressiona mercados globais, enquanto o investidor brasileiro também monitora a agenda do Congresso Nacional.
O mercado financeiro global iniciou esta terça-feira (26) sob forte pressão e cautela devido ao recrudescimento das tensões militares no Oriente Médio. No Brasil, o dólar comercial abriu em trajetória de ascensão, registrando uma valorização de 0,05% logo nos primeiros minutos de negociação, cotado a R$ 5,0210. O movimento reflete o temor de investidores internacionais diante da confirmação de novos ataques por parte das forças armadas dos Estados Unidos contra alvos estratégicos em território iraniano. A escalada do conflito direto volta a colocar em cheque a estabilidade de rotas comerciais fundamentais e gera uma corrida por ativos considerados seguros, como a moeda americana e o ouro.
Os antecedentes deste novo episódio de instabilidade remontam a operações militares conduzidas no sul do Irã. Segundo informações divulgadas pelo Pentágono, os ataques americanos miraram plataformas de lançamento de mísseis e embarcações que, supostamente, estariam tentando instalar minas navais no Estreito de Ormuz. Washington defende a ação como uma medida defensiva necessária para garantir a integridade de suas tropas e a livre navegação em uma área por onde circula cerca de um quinto do petróleo mundial. Por outro lado, Teerã classificou os bombardeios na província de Hormozgan como uma clara violação de tréguas passadas, intensificando a retórica de represália em um momento em que a diplomacia parecia ganhar algum terreno.
O impacto dessas movimentações bélicas é sentido de forma imediata e mista no mercado de commodities energéticas. O petróleo do tipo Brent, que serve de referência global e é negociado em Londres, registrou alta de 2,4%, atingindo o patamar de US$ 98,50 por barril, impulsionado pelo risco de gargalos na oferta. Curiosamente, o petróleo WTI, referência no mercado dos Estados Unidos, apresentou queda de 4,7%, operando na casa dos US$ 92,04. Essa divergência entre os preços internacionais e americanos demonstra como os traders estão tentando equilibrar o pânico geopolítico com dados internos de estoque e consumo nos EUA. Apesar da volatilidade atual, os preços ainda permanecem distantes dos picos registrados em abril, quando o barril ultrapassou a barreira dos US$ 120.
No cenário interno brasileiro, além do choque externo vindo do Oriente Médio, a agenda política em Brasília adiciona camadas de incerteza fiscal e econômica. Os investidores acompanham com atenção o adiamento da votação sobre a proposta de fim da escala de trabalho 6x1 e a redução da jornada semanal para 40 horas, tema de alta sensibilidade para o setor produtivo. Simultaneamente, o Senado Federal foca seus esforços na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que analisa a renegociação de dívidas do setor agropecuário, pilar fundamental do PIB brasileiro. Qualquer alteração nas expectativas de gastos públicos ou nas regras de arrecadação tende a pressionar o câmbio, tornando o real mais vulnerável às flutuações externas.
A percepção de risco é alimentada ainda pela ambiguidade das mensagens diplomáticas. Enquanto o presidente Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, sinalizam que as conversas para um possível acordo de paz estão em andamento e podem prosperar em poucos dias, as ações militares no terreno sugerem o contrário. Para o investidor brasileiro e para a economia real, esse cenário de instabilidade no dólar implica em pressões inflacionárias, uma vez que insumos importados e o custo dos combustíveis são diretamente afetados. O que se espera para as próximas sessões é uma volatilidade acentuada, dependente integralmente de novos relatos vindos do Golfo Pérsico e do tom das reuniões a portas fechadas em Washington e Teerã.






