Economia

Ferrari Luce: Ousadia elétrica de US$ 640 mil divide fãs e marca nova era na montadora

Com preço de R$ 3,2 milhões e design inovador assinado por ex-Apple, modelo gera polêmica ao abandonar tradicionais motores a combustão e adotar cinco lugares.

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Redação 360 Notícia
26 de maio de 2026 às 15:003 min
Ferrari Luce: Ousadia elétrica de US$ 640 mil divide fãs e marca nova era na montadora
Foto: Reprodução
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A Ferrari quebra tradições com o lançamento do Luce, seu primeiro superesportivo 100% elétrico e com cinco lugares. O modelo, desenvolvido em parceria com o ex-designer da Apple, Jony Ive, custará R$ 3,2 milhões e divide opiniões entre entusiastas e críticos do mercado automotivo.

Em um movimento que marca uma das transformações mais profundas em seus mais de 70 anos de história, a Ferrari realizou nesta segunda-feira o lançamento oficial do Luce, seu primeiro modelo totalmente movido a eletricidade. Apresentado em Roma pelo diretor-executivo Benedetto Vigna, o veículo não apenas abandona o tradicional motor a combustão — símbolo máximo da marca italiana —, mas também introduz uma configuração inédita de cinco lugares. Com um preço estimado em US$ 640 mil (aproximadamente R$ 3,2 milhões), o superesportivo representa uma aposta de alto risco em um momento em que a indústria automotiva de luxo enfrenta incertezas globais e uma desaceleração na demanda por eletrificação total.

A chegada do Luce é vista como uma mudança de curso significativa para a montadora sediada em Maranello. Anteriormente, a Ferrari havia demonstrado resistência quanto à viabilidade de um esportivo puramente elétrico que mantivesse o DNA de performance e o ronco característico que atrai seus colecionadores. Contudo, após cinco anos de desenvolvimento intensivo, o projeto ganhou vida com a colaboração da agência LoveFrom, liderada por Jony Ive, o ex-estrategista de design da Apple conhecido por produtos icônicos como o iPhone. A participação de Ive reflete-se em uma estética que foge do convencional, priorizando linhas futuristas que, embora sofisticadas, geraram ondas de discussões acaloradas entre entusiastas de automóveis e especialistas do setor.

Tecnicamente, o Ferrari Luce é uma vitrine de engenharia própria. Ao contrário de outras fabricantes que buscam componentes de fornecedores externos, a Ferrari optou por desenvolver internamente o trem de força. O modelo é equipado com um motor elétrico em cada roda, garantindo tração integral e uma aceleração impressionante, capaz de levar o veículo de 0 a 96 km/h em apenas 2,5 segundos. Essa produção "in-house" foi justificada pela empresa como uma estratégia para assegurar a longevidade e o valor de revenda do carro, uma vez que a própria fábrica será capaz de realizar manutenções complexas e atualizações tecnológicas futuras, minimizando a obsolescência comum em dispositivos eletrônicos de alta gama.

O mercado de luxo, no entanto, observa o lançamento com cautela. Rivais históricos como Porsche e Lamborghini recentemente revisaram suas metas de eletrificação para baixo, citando a resistência dos consumidores de alto poder aquisitivo e a competição feroz de fabricantes chinesas, que dominam a cadeia de suprimentos de baterias e produzem a custos significativamente menores. Mais do que a técnica, o design do Luce tornou-se o principal ponto de discórdia. Nas redes sociais, as reações variaram de elogios à "aula de design" até críticas severas comparando o modelo a um eletrodoméstico, com alguns usuários prevendo que a ruptura com as tradições poderia prejudicar a identidade da marca, de forma semelhante às críticas recebidas pela Jaguar em suas recentes tentativas de reposicionamento.

Para o leitor brasileiro e o mercado internacional, o lançamento levanta questões sobre o futuro da mobilidade de alto desempenho. Embora as ações da Ferrari tenham enfrentado uma desvalorização de cerca de 25% no último ano — influenciada por uma retração geral no consumo de luxo decorrente da inflação global —, a empresa mantém a posição de montadora mais valiosa da Europa. A estratégia agora é o equilíbrio: a Ferrari confirmou que, apesar da introdução do Luce, não abandonará os motores a gasolina e os sistemas híbridos. A ideia é oferecer um portfólio diversificado onde a exclusividade continue sendo o motor das vendas, independentemente do tipo de combustível utilizado sob o capô. O sucesso ou fracasso do Luce será, portanto, o termômetro para saber se o prestígio da marca é forte o suficiente para sobreviver ao silêncio dos motores elétricos.

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