Operação em Santana resulta na morte de suspeito de homicídio e apreensão de menores
Um homem de 31 anos morreu em confronto com o GTA e dois menores foram apreendidos em ação contra o tráfico na área portuária.

Operação policial em Santana termina com um suspeito de 31 anos morto e dois adolescentes de 12 e 15 anos apreendidos. O homem morto era procurado por um duplo homicídio ocorrido em fevereiro e possuía extensa ficha criminal. A ação ocorreu na área portuária durante combate ao tráfico.
Uma intensa ação policial na zona portuária de Santana, município localizado a cerca de 17 quilômetros da capital Macapá, resultou na morte de um suspeito de 31 anos e na apreensão de dois adolescentes, de 12 e 15 anos, na última segunda-feira. A intervenção ocorreu no âmbito da "Operação Protetor", uma iniciativa estratégica das forças de segurança do Amapá para combater o tráfico de drogas e a criminalidade violenta na região. O confronto armado teve início após equipes do 8º Batalhão da Polícia Militar flagrarem indivíduos comercializando entorpecentes em via pública, o que desencadeou uma perseguição em uma das áreas mais vulneráveis da cidade.
O cenário de violência em Santana não é um fato isolado e reflete as tensões crescentes entre organizações criminosas que disputam o controle territorial na Baixada do Ambrósio e arredores. O homem morto no confronto, identificado pelas autoridades como um indivíduo de alta periculosidade, possuía uma extensa ficha criminal que incluía passagens por roubo, porte ilegal de arma de fogo, violência doméstica e desobediência judicial. De acordo com informações fornecidas pelo capitão Muller Bryan, do Grupo Tático Aéreo (GTA), o suspeito era o principal investigado pelo duplo homicídio dos irmãos Iury Kaua Chagas Duarte e Weslly Chagas Duarte, ocorrido em fevereiro deste ano. Esse histórico reforça a tese de que a operação mirava não apenas o comércio de drogas imediato, mas a desarticulação de lideranças locais de facções.
Durante a tentativa de abordagem inicial, o suspeito e os dois menores empreenderam fuga. Para tentar confundir os policiais do Grupo Tático Aéreo, que davam apoio aéreo e terrestre à ocorrência, o homem chegou a trocar de vestimentas durante o trajeto de evasão por becos e passarelas. No entanto, ao ser localizado na Travessa Santana, ele optou pelo confronto direto, disparando contra os militares. No revide, o indivíduo foi atingido e, apesar do acionamento do socorro médico especializado, o óbito foi confirmado ainda no local. Com ele, a polícia apreendeu um revólver calibre 38, munições, além de porções de maconha, crack e um colete balístico, evidenciando o preparo do crime organizado para o enfrentamento com o Estado.
O envolvimento de menores de idade no episódio traz à tona uma discussão preocupante sobre o recrutamento de crianças e adolescentes pelo tráfico no Amapá. A presença de um jovem de 12 anos e outro de 15 no momento da venda das drogas corrobora investigações anteriores que apontam para o uso de menores como "olheiros" ou vendedores diretos para dificultar a responsabilização penal. Vale lembrar que, em desdobramentos anteriores do mesmo caso de duplo homicídio citado, a Polícia Civil já havia conduzido uma criança de apenas 11 anos suspeita de participação na execução dos irmãos Duarte. A barbárie dos crimes, onde as vítimas foram atraídas para uma emboscada e executadas com tiros na cabeça, demonstra o nível de cooptação precoce que as facções exercem na juventude local.
Para a população amapaense, a continuidade da Operação Protetor é vista como um mal necessário para conter a onda de homicídios que assola a região portuária. O desfecho desta operação específica acende um alerta sobre a necessidade de políticas públicas transversais que unam repressão policial a ações sociais, visando retirar jovens da linha de frente do crime. Os adolescentes apreendidos foram encaminhados à delegacia especializada para os procedimentos cabíveis previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Enquanto isso, o material apreendido passará por perícia técnica para auxiliar no fechamento do inquérito sobre o duplo homicídio e outras atividades da célula criminosa atuante em Santana.
Os próximos passos das autoridades de segurança do Amapá incluem o monitoramento de possíveis retaliações entre os grupos rivais após a baixa sofrida pela facção local. O policiamento ostensivo deve ser reforçado na Baixada do Ambrósio e nas áreas de pontes, onde a geografia do terreno facilita o esconderijo de entorpecentes e armamentos. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que busca identificar outros envolvidos na rede de apoio que permitia ao suspeito de 31 anos permanecer foragido e operando o tráfico de drogas mesmo após cometer crimes de tamanha gravidade no início do ano.






