Golpe do Amor: Mulher é presa por se passar por cantor internacional e extorquir idosa em R$ 60 mil
Vítima de 63 anos realizou 11 transferências após ser convencida de que namorava astro internacional; suspeita foi detida no Pará.

Uma idosa de Goiânia perdeu quase R$ 60 mil após cair em um elaborado golpe de estelionato sentimental. A criminosa, presa em Belém, se passava por um famoso cantor norte-americano para extorquir a vítima sob falsos pretextos de acidentes e taxas alfandegárias.
A Polícia Civil do Estado de Goiás efetuou a prisão de uma mulher suspeita de coordenar um esquema de estelionato afetivo que resultou em um prejuízo financeiro superior a R$ 60 mil para uma idosa de 63 anos, residente em Goiânia. O caso, que se enquadra na modalidade conhecida popularmente como "golpe do amor", envolveu a criação de um personagem fictício baseado em um cantor norte-americano de renome internacional. A captura da suspeita ocorreu na cidade de Belém, no Pará, após uma investigação minuciosa que expôs as táticas de manipulação psicológica e financeira utilizadas para enganar a vítima por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens.
O crime de estelionato sentimental tem se tornado cada vez mais comum no ambiente digital, aproveitando-se da vulnerabilidade emocional e da boa-fé de usuários — frequentemente idosos — que buscam conexão em plataformas como o Facebook. Segundo as autoridades, a golpista iniciou o contato com a vítima através da rede social, simulando ser um artista estrangeiro. Para conferir veracidade à farsa, a criminosa utilizava números de telefone com prefixos internacionais de países como Estados Unidos, Canadá e Nigéria, o que dificultava a identificação imediata da fraude e criava uma aura de autenticidade para a figura pública inventada.
Os detalhes do golpe revelam uma estrutura narrativa elaborada para extrair o máximo de recursos financeiros da vítima. Em um primeiro momento, a golpista afirmou que teria enviado um smartphone de última geração para a idosa, mas que o aparelho estaria retido na alfândega, exigindo o pagamento de taxas que somavam 2 mil dólares. Posteriormente, a mentira escalou: a suposta celebridade alegou estar em turnê pelo Brasil quando, subitamente, teria sofrido um grave acidente automobilístico em solo goiano. Com o argumento de que precisava de fundos imediatos para tratamento médico e custos hospitalares devido à falta de acesso aos próprios contatos, a criminosa convenceu a idosa a realizar 11 transferências bancárias, alcançando a marca de R$ 60 mil.
A situação atingiu níveis ainda mais graves de exploração quando a suspeita começou a incentivar a vítima a vender sua própria residência para continuar financiando as supostas necessidades do "cantor". Ao perceber que estava sendo alvo de uma fraude, a idosa tentou romper o vínculo, o que deu início a uma fase de chantagem. Utilizando montagens fotográficas para intimidar a mulher de 63 anos, a criminosa forçou-a a deletar perfis em redes sociais e apagar todo o histórico de conversas, em uma tentativa clara de destruir evidências. Mesmo após o isolamento digital da vítima, outras abordagens fraudulentas continuaram a atormentá-la, o que demonstra a atuação de possíveis redes articuladas de criminosos que compartilham dados de pessoas vulneráveis.
Este episódio serve como um alerta crítico para a sociedade brasileira sobre os perigos da exposição em ambientes virtuais e a necessidade de monitoramento preventivo, especialmente para a população da terceira idade. Especialistas em segurança digital reforçam que celebridades raramente entram em contato direto com fãs para solicitar ajuda financeira ou favores pessoais. Juridicamente, o estelionato amoroso pode levar a condenações severas, e a Polícia Civil ressalta a importância de denunciar qualquer início de abordagem suspeita. Com a prisão realizada no Pará, a investigação agora busca identificar se existem outras vítimas do mesmo esquema e se a mulher presa agia de forma solitária ou integrava uma organização criminosa especializada em crimes cibernéticos transfronteiriços.






