Tragédia em Santa Catarina: Bebê de três meses morre em abrigo e causa gera investigação do MP
Caso ocorreu em uma instituição privada na madrugada desta terça-feira; Ministério Público apura suspeita de obstrução das vias aéreas.

O falecimento de um bebê de três meses em um abrigo privado de Criciúma mobiliza o Ministério Público e a Polícia Civil. Suspeita inicial aponta obstrução de vias aéreas após alimentação. Autoridades investigam possíveis falhas em protocolos de monitoramento na unidade de acolhimento.
Uma tragédia ocorrida na madrugada desta terça-feira (26) abalou a cidade de Criciúma, no Sul de Santa Catarina. Um bebê de apenas três meses de vida veio a óbito enquanto estava sob os cuidados de uma instituição de acolhimento privada da região. O episódio mobilizou imediatamente as autoridades locais, incluindo a Polícia Militar, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Polícia Científica, além de desencadear uma investigação rigorosa por parte do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e da Polícia Civil para apurar as circunstâncias exatas da fatalidade.
De acordo com os relatos iniciais fornecidos por funcionárias da unidade de acolhimento à Polícia Militar, a rotina da criança transcorria dentro da normalidade até o final da noite de segunda-feira. O bebê teria sido alimentado com uma mamadeira por volta das 23h e, logo após o término da refeição, foi colocado para descansar em seu berço. No entanto, o cenário mudou drasticamente por volta de 1h da madrugada, quando colaboradoras da instituição perceberam que o lactante estava desacordado e não apresentava sinais de reação. Apesar da rápida chegada das equipes de socorro, as manobras de reanimação não surtiram efeito, e o óbito foi confirmado ainda nas dependências do abrigo.
O Ministério Público, por meio da 8ª Promotoria de Justiça da Comarca, agiu prontamente diante da gravidade do ocorrido. Uma análise preliminar citada pelo órgão sugere que a causa do falecimento estaria relacionada à obstrução das vias aéreas, uma situação extremamente delicada em bebês dessa faixa etária e que exige cuidados específicos após a amamentação ou alimentação por mamadeira. O promotor Marcos De Martino instaurou um inquérito civil para apurar se houve qualquer tipo de negligência ou falha nos protocolos de monitoramento da instituição. O procedimento corre sob sigilo para preservar os detalhes da investigação e a dignidade das partes envolvidas.
O caso levanta um debate necessário sobre a fiscalização das casas de acolhimento e abrigos que recebem crianças em situação de vulnerabilidade. Em nota oficial, a Prefeitura de Criciúma expressou profundo pesar pela morte da criança, mas ressaltou que a entidade onde o fato ocorreu é de natureza privada. Mesmo assim, o poder público municipal afirmou que está à disposição dos órgãos de controle e que responderá dentro dos prazos legais a todas as solicitações de informações feitas pelo MPSC. A colaboração da rede municipal de assistência social é vista como fundamental para entender o histórico do bebê e as condições contratuais de funcionamento do abrigo em questão.
A partir de agora, o foco das investigações recai sobre o laudo pericial definitivo que será emitido pela Polícia Científica de Santa Catarina. Este documento será o divisor de águas para determinar se a morte foi uma fatalidade súbita — comum em alguns casos de lactantes (como a Síndrome da Morte Súbita do Lactante ou broncoaspiração acidental) — ou se houve omissão de socorro e falta de vigilância adequada por parte dos profissionais de plantão. Somente após a conclusão do inquérito policial e a análise técnica das provas é que o Ministério Público decidirá se apresentará denúncia criminal ou se adotará medidas administrativas e judiciais complementares contra a instituição de acolhimento.






