Carlos Filho resgata clássicos e renova o forró em seu novo álbum Baile Brasileiro II
Lançamento do álbum 'Baile Brasileiro II' une a tradição de mestres do forró com sonoridade contemporânea e músicas inéditas.

O músico pernambucano Carlos Filho lança 'Baile Brasileiro II' nesta quinta-feira (28), trazendo regravações raras de mestres como Humberto Teixeira, Assisão e Pinto do Acordeon, além de canções autorais que unem a tradição do forró a arranjos modernos com sintetizadores.
O cenário musical nordestino ganha um novo e revigorante capítulo com o lançamento de "Baile Brasileiro II", o mais recente trabalho de estúdio do cantor e compositor pernambucano Carlos Filho. Com lançamento oficial agendado para esta quinta-feira, 28 de maio, o álbum dá continuidade a uma proposta estética que une o respeito profundo às raízes do forró com uma sonoridade arejada e moderna. Natural de Serra Talhada, no Sertão do Pajeú, Carlos Filho consolida sua posição como um dos grandes intérpretes da nova geração ao resgatar pérolas de compositores históricos, ao mesmo tempo em que apresenta sua própria produção autoral. O projeto reafirma o compromisso do artista em manter viva a fogueira das festas populares, unindo o pé de serra tradicional a elementos contemporâneos.
Para compreender a relevância deste lançamento, é preciso olhar para a curadoria meticulosa feita pelo artista. Carlos Filho não se limitou a regravar clássicos óbvios; ele mergulhou na discografia de gigantes para trazer à tona composições que muitas vezes ficam à sombra dos grandes hits radiofônicos. Um dos destaques é a regravação de "Canaã", composição de 1968 assinada exclusivamente pelo cearense Humberto Teixeira. Embora Teixeira seja mundialmente conhecido pela parceria vitoriosa com Luiz Gonzaga, o "Doutor do Baião" também possui uma obra autoral solo de extrema riqueza. A escolha de "Canaã" para abrir e fechar o disco funciona como uma moldura conceitual, conectando o passado glorioso do baião com a visão artística de Carlos para o presente.
A imersão cultural continua com o resgate de faixas que celebram a malícia e a alegria características do forró. Carlos Filho homenageia seu conterrâneo Assisão, lenda viva de 85 anos e também nascido em Serra Talhada, ao interpretar a música "Pau nas coisas", lançada originalmente no final da década de 80. O álbum também abre espaço para o legado do paraibano Pinto do Acordeon através da canção "Sou mais forró", de 1980. Essa conexão geográfica e histórica fortalece a identidade do disco, que serve como uma ponte entre diferentes gerações do semiárido brasileiro, preservando o sotaque e a malemolência que definem o gênero, mas injetando uma nova energia interpretativa que conversa com o público atual.
Em termos de produção musical, "Baile Brasileiro II" equilibra com habilidade o tradicional e o novo. A instrumentação básica do forró — o triângulo, a zabumba e a sanfona — está presente e bem marcada, garantindo o ritmo necessário para o baile. No entanto, o diferencial reside na inserção de sintetizadores e arranjos mais contemporâneos, que trazem uma textura de modernidade sem descaracterizar o trabalho. Além dos mestres do passado, o repertório inclui "Alegria de pé de serra", da lendária dupla Anastácia e Dominguinhos, e "Partilha", música do compositor contemporâneo Juliano Holanda. O próprio Carlos Filho assina faixas autorais, como "Mesa posta" (parceria com Rafael Marques e participação de Santanna o Cantador) e "Tempo mãe" (com Luiz Diniz), mostrando sua versatilidade como criador.
Este lançamento ocorre em um momento estratégico, antecedendo o período das festas juninas, quando a cultura nordestina ganha ainda mais projeção nacional. Carlos Filho, que ganhou visibilidade em todo o país após sua participação de destaque na décima temporada do reality musical "The Voice Brasil" em 2021, demonstra amadurecimento artístico ao fugir de estereótipos comerciais simples. Ao optar por um repertório denso e uma produção que valoriza o detalhe instrumental, ele se posiciona como um guardião criativo da música popular brasileira. O que se espera após "Baile Brasileiro II" é a consolidação de uma turnê que leve essa experiência de "baile" para palcos além das fronteiras do Nordeste, provando que o forró, em sua essência, é uma linguagem universal.






