Vereador Zander Fábio é preso em Goiânia por suspeita de desvios na Secretaria de Cultura
Ex-secretário de Cultura é alvo da Operação Cultura Em(Cena) por supostos desvios de R$ 1,5 milhão com empresas de fachada.

O vereador e ex-secretário de Cultura de Goiânia, Zander Fábio, foi preso nesta terça-feira suspeito de desviar R$ 1,5 milhão através de empresas de fachada. Pouco antes de ser detido pela Polícia Civil, ele publicou um vídeo em uma igreja. A investigação aponta crimes de peculato e lavagem de dinheiro.
O cenário político de Goiânia foi abalado na manhã desta terça-feira (26) com a deflagração da Operação Cultura Em(Cena), conduzida pela Polícia Civil de Goiás. O principal alvo da ação foi o vereador Zander Fábio (Podemos), ex-secretário municipal de Cultura, que foi detido temporariamente sob a acusação de liderar um esquema de desvio de verbas públicas. De forma inusitada, momentos antes de receber a voz de prisão, o parlamentar publicou um vídeo em suas redes sociais onde aparecia em uma igreja, demonstrando tranquilidade. O registro foi feito na Igreja Matriz de Campinas, local onde os agentes aguardaram o momento oportuno para cumprir o mandado judicial enquanto monitoravam seus passos.
A investigação detalha um suposto esquema de corrupção que teria operado com maior intensidade durante o ano de 2024. De acordo com a Polícia Civil, o grupo criminoso utilizava associações e empresas de fachada para drenar recursos da Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia, pasta que foi comandada por Zander Fábio entre 2021 e 2024. O modus operandi envolvia a criação de pessoas jurídicas sem qualquer infraestrutura ou histórico de mercado, servindo apenas como recipientes para o recebimento de valores oriundos de contratos sem licitação. A força-tarefa identificou que essas empresas eram frequentemente encerradas logo após o recebimento dos repasses públicos, o que dificultava a fiscalização e o rastreio do dinheiro.
Os dados apresentados pelos investigadores são contundentes quanto à velocidade e à forma dos desvios. Em um único dia, 16 de agosto de 2024, foram identificadas seis parcelas idênticas de R$ 54 mil enviadas para uma mesma empresa do grupo. No total, as fraudes apuradas somam cerca de R$ 1,5 milhão, verba que originalmente deveria ser destinada ao pagamento de profissionais e infraestrutura para eventos culturais, como exposições de carros antigos. No entanto, a polícia afirma que as contratações eram meros pretextos para que o capital retornasse aos agentes públicos envolvidos. As sedes declaradas dessas empresas funcionavam, em muitos casos, nas residências dos próprios investigados, evidenciando a ausência de atividade comercial legítima.
Além do vereador, outras três pessoas foram presas temporariamente, incluindo indivíduos ligados a associações que intermediariam os pagamentos. Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão, abrangendo endereços residenciais e escritórios políticos. A defesa de Zander Fábio, conduzida pelo advogado Marcelo di Rezende, contestou a necessidade da prisão temporária. Segundo os defensores, o vereador já havia constituído defesa em investigações anteriores e fornecido documentos que supostamente comprovariam sua inocência, colocando-se à disposição da Justiça de forma colaborativa. Atualmente, o processo apura crimes de peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
O impacto político do caso reflete diretamente na estrutura da administração municipal e na Câmara de Vereadores. O ex-prefeito Rogério Cruz emitiu nota afirmando que não é alvo da investigação e que confia na apuração rigorosa dos fatos. Já a Câmara Municipal de Goiânia declarou estar acompanhando o caso, ressaltando que, até o momento, a instituição legislativa não faz parte do polo passivo do processo. Para o eleitor goiano, o caso levanta alertas sobre a fiscalização de contratos emergenciais ou sem licitação na área cultural, setor que frequentemente se torna vulnerável a desvios por envolver serviços subjetivos e pulverizados. O próximo passo da Polícia Civil será o interrogatório dos detidos e o cruzamento de dados obtidos nos computadores e celulares apreendidos durante as buscas nas primeiras horas da operação.





