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Líder do PCC foragido é preso na Bolívia e terá expulsão imediata para o Brasil

Condenado a 126 anos de prisão, traficante havia fugido após decisão polêmica de desembargador em 2020; captura ocorreu em Santa Cruz de La Sierra.

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Redação 360 Notícia
26 de maio de 2026 às 17:003 min
Líder do PCC foragido é preso na Bolívia e terá expulsão imediata para o Brasil
Foto: Reprodução
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Gerson Palermo, liderança do PCC condenada a mais de 120 anos de prisão, foi capturado na Bolívia após seis anos de fuga. O criminoso havia fugido em 2020 após uma polêmica decisão judicial e agora enfrentará expulsão imediata para retornar ao sistema carcerário brasileiro.

Uma operação estratégica coordenada entre as autoridades de segurança da Bolívia e a Polícia Federal brasileira resultou na captura de Gerson Palermo, considerado um dos líderes de maior influência na hierarquia do Primeiro Comando da Capital (PCC). Localizado na região de Santa Cruz de la Sierra nesta terça-feira (26), o criminoso estava foragido do sistema penitenciário brasileiro desde 2020. De acordo com o comandante da Força Especial de Combate ao Narcotráfico da Bolívia (FELCN), David Gómez, o traficante não possui processos abertos em solo boliviano, o que acelera o trâmite jurídico para sua entrega ao Brasil. Ele será expulso do país vizinho por meio de uma ordem de saída obrigatória, um mecanismo administrativo que simplifica a extradição de cidadãos estrangeiros sem pendências locais.

A trajetória de Gerson Palermo é marcada por uma das fugas mais polêmicas da história judiciária recente do Mato Grosso do Sul. Em abril de 2020, em pleno regime de plantão judicial, ele obteve o direito à prisão domiciliar alegando riscos decorrentes da pandemia de Covid-19. A decisão foi assinada de forma célere pelo então desembargador Divoncir Maran em menos de uma hora de análise. No entanto, o benefício durou pouco tempo no papel: apenas cinco horas após atravessar os portões do presídio de segurança máxima de Campo Grande, Palermo rompeu a tornozeleira eletrônica que deveria monitorar seus passos e desapareceu, tornando-se um dos nomes prioritários na lista do Sistema Único de Segurança Pública.

O impacto dessa soltura gerou reflexos profundos no Poder Judiciário brasileiro. A conduta do desembargador Divoncir Maran foi alvo de rigorosa investigação pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em fevereiro de 2026, o colegiado decidiu aplicar a pena máxima administrativa ao magistrado: a aposentadoria compulsória. O entendimento dos conselheiros foi de que houve uma manobra injustificável para conceder liberdade a um criminoso de extrema periculosidade, cujas penas acumuladas superam os 126 anos de reclusão. A prisão agora efetuada na Bolívia encerra um hiato de seis anos em que Palermo operou na clandestinidade, possivelmente coordenando atividades logísticas do narcotráfico a partir do país vizinho.

O currículo criminal de Palermo é extenso e remonta a episódios cinematográficos da criminalidade brasileira. Nos anos 2000, ele ganhou notoriedade ao liderar o sequestro de um Boeing 737 da extinta companhia aérea Vasp. Na ocasião, o grupo sob sua liderança desviou a aeronave para o interior do Paraná com o objetivo de roubar malotes do Banco do Brasil, totalizando um prejuízo de milhões de reais e colocando em risco centenas de passageiros. Anos depois, ele foi o alvo central da Operação All In, que desvendou um sofisticado sistema de transporte de cocaína que utilizava aeronaves para trazer entorpecentes da Bolívia até pontos estratégicos do Mato Grosso do Sul, de onde a droga seguia por via terrestre para as principais metrópoles do país.

A captura do traficante representa uma vitória significativa para o acordo de cooperação internacional entre os países da América Latina no combate ao crime organizado transnacional. A expulsão imediata de Palermo visa evitar que ele utilize recursos jurídicos na Bolívia para protelar seu retorno ao Brasil. Uma vez em território brasileiro, ele deve ser reconduzido ao sistema prisional federal, onde deverá cumprir o restante de sua extensa pena sob regimes de vigilância rigorosa. O caso reforça a necessidade de vigilância sobre decisões judiciais que envolvem lideranças de facções e destaca que a inteligência compartilhada entre polícias de diferentes nações é a ferramenta mais eficaz contra a expansão das rotas do narcotráfico na fronteira.

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