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Fuzileiros Navais realizam treinamento no Rio para manter certificação máxima da ONU

Com mais de 500 militares e tecnologias de ponta, tropa busca o grau máximo de prontidão para missões em zonas de conflito e crises humanitárias.

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Redação 360 Notícia
26 de maio de 2026 às 17:003 min
Fuzileiros Navais realizam treinamento no Rio para manter certificação máxima da ONU
Foto: Reprodução
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Fuzileiros Navais realizam grande exercício militar no Rio de Janeiro para manter certificação de elite da ONU. Treinamento na Ilha do Governador conta com 500 militares, veículos blindados e a participação inédita de mulheres combatentes em avaliações internacionais.

O Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil iniciou, nesta semana, uma complexa mobilização militar na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio de Janeiro. O treinamento, que envolve mais de 500 militares, serve como anteparo preparatório para uma inspeção rigorosa da Organização das Nações Unidas (ONU), prevista para ocorrer entre os dias 27 e 29 de maio. O foco central da atividade é a revalidação da certificação de nível 3 — o patamar máximo de prontidão — da Força de Reação Rápida da Marinha. Esse selo internacional é o que habilita a tropa brasileira a ser convocada para missões de paz e intervenções humanitárias em qualquer localidade do globo sob a bandeira das Nações Unidas.

Historicamente, o Brasil possui um currículo extenso e respeitado em operações de manutenção da paz. A atuação de 13 anos no Haiti (MINUSTAH) e a liderança da força-tarefa marítima no Líbano (UNIFIL) por uma década consolidaram a doutrina brasileira de emprego de força proporcional e proximidade com a população civil. Contudo, a manutenção do status de elite no Sistema de Prontidão de Capacidades de Manutenção da Paz da ONU exige atualizações constantes. A estrutura montada no Rio de Janeiro simula uma base expedicionária completa, desenhada para operar em ambientes hostis, como cenários de guerra civil ou desastres naturais de grande escala, onde a infraestrutura local é inexistente ou foi destruída.

Durante as manobras, a Marinha apresentou uma gama tecnológica e logística impressionante. Foram mobilizados carros-lagarta anfíbios (CLAnf), veículos blindados sobre rodas e unidades de apoio logístico que garantem a autossuficiência da tropa. Mais do que apenas armamentos, a inspeção avalia a capacidade de suporte à vida: o complexo montado inclui hospitais de campanha, sistemas de comunicação via satélite, refeitórios e centros de comando e controle. Um destaque relevante deste exercício é o pioneirismo da Companhia de Desativação de Artefatos Explosivos, que busca atingir o nível 2 de prontificação. Para isso, os militares demonstraram o uso de robôs de alta tecnologia, drones de reconhecimento e cães farejadores treinados para a neutralização de ameaças assimétricas, como minas e explosivos improvisados.

Um marco social e institucional digno de nota nesta avaliação é a inclusão, pela primeira vez, de mulheres combatentes do Corpo de Fuzileiros Navais em um processo de certificação internacional deste porte. Embora a presença feminina na Marinha não seja nova, o acesso à carreira de combatente nas tropas de elite é uma conquista recente. A participação dessas militares atende não apenas a uma evolução interna das Forças Armadas brasileiras, mas também a uma diretriz da própria ONU, que incentiva o aumento de mulheres em missões de campo por sua eficácia comprovada no contato com populações vulneráveis em zonas de conflito. Segundo o comando da tropa, o objetivo é que o exercício reflita com precisão as dificuldades multidimensionais enfrentadas em um terreno real.

Para o Brasil, a manutenção desse certificado nível 3 é estratégica no campo da política externa. Demonstrar que o país possui tropas capazes de se deslocar rapidamente e atuar com autonomia logística reforça o pleito brasileiro por maior protagonismo em fóruns internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU. Nos próximos dias, os quatro avaliadores da organização internacional observarão não apenas a destreza técnica, mas o cumprimento de protocolos de direitos humanos e regras de engajamento. Caso a certificação seja renovada, o país permanecerá em uma seleta lista de nações prontas para atuar em crises globais, reafirmando seu compromisso com a estabilidade internacional e a assistência humanitária.

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