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Saúde Mental no Trabalho: Empresas enfrentam desafios para se adequar à nova NR-1

Atualização da norma obriga empresas a gerenciar riscos psicossociais; levantamentos mostram que mais da metade das companhias ainda não se adequou.

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Redação 360 Notícia
28 de maio de 2026 às 08:003 min
Saúde Mental no Trabalho: Empresas enfrentam desafios para se adequar à nova NR-1
Foto: Reprodução
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A nova atualização da NR-1 já está em vigor, tornando obrigatória a inclusão de riscos psicossociais no gerenciamento de segurança das empresas. No entanto, dados mostram que a maioria das organizações brasileiras ainda não possui planos formais para lidar com o adoecimento mental no trabalho.

Desde a última terça-feira (26), entrou em vigor em todo o território nacional a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), um marco regulatório que altera profundamente a gestão de saúde e segurança nas empresas brasileiras. A principal mudança estabelece a obrigatoriedade de incluir os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Na prática, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) amplia o rigor sobre fatores que historicamente eram negligenciados ou vistos apenas sob o viés individual, como metas abusivas, jornadas exaustivas, assédio moral e sobrecarga de trabalho. Agora, o adoecimento mental é tratado legalmente como uma consequência direta da organização do trabalho, exigindo medidas preventivas estruturadas por parte dos empregadores.

Entretanto, o cenário de implementação revela um abismo entre o que determina a lei e a realidade das corporações. Diversos levantamentos apontam que a adaptação está ocorrendo de forma lenta. De acordo com a pesquisa Mapa do RH & DP 2026, realizada pela Sólides, 57,8% das companhias ainda não integraram a análise de riscos psicossociais ao seu Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). O estudo indica que apenas 42,2% das empresas operam com um programa plenamente funcional e atualizado. Outras métricas indicam que 27,3% possuem um PGR defasado, enquanto 8,5% admitem não ter sequer o plano formalizado, o que demonstra uma vulnerabilidade jurídica e operacional significativa diante da nova fiscalização.

A resistência à nova norma parece ter raízes culturais e estruturais. Especialistas ouvidos pelo portal destacam que muitos gestores ainda interpretam o sofrimento psicológico como um problema particular do funcionário, ignorando como o ambiente corporativo atua como gatilho. Para a auditora-fiscal do trabalho Odete Reis, falta priorização do tema nas políticas internas. Embora haja interesse em capacitação, a prática cotidiana ainda foca em aspectos tradicionais de segurança física, como equipamentos de proteção individual, deixando de lado o mapeamento da organização do trabalho. A juíza do trabalho Mirella Cahú reforça que o despreparo técnico é generalizado, visto que o estudo científico dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho brasileiro ainda é uma área em construção.

O mercado de consultorias tem tentado preencher essa lacuna, mas com ressalvas éticas e técnicas. Especialistas alertam para a proliferação de "soluções prontas" — checklists e pacotes de bem-estar padronizados que prometem conformidade com a NR-1 sem realizar mudanças reais na gestão. A crítica central é que oferecer terapia ou aplicativos de meditação como benefícios isolados não cumpre a exigência da norma se a carga horária e as metas continuarem adoecendo o trabalhador. A procuradora do trabalho Gisela Nabuco enfatiza que a obrigação de gerenciar riscos já existia de modo estruturado há pelo menos quatro anos, o que torna o argumento de "falta de tempo" injustificável diante da urgência de proteção à integridade mental da força de trabalho.

Quanto aos próximos passos, o Ministério do Trabalho adotou uma postura de transição pedagógica. Pelos próximos 90 dias, a inspeção deve priorizar a orientação e a notificação de empresas, utilizando o critério de dupla visita previsto na CLT para permitir ajustes antes da aplicação direta de multas. Contudo, o ministro Luiz Marinho já descartou novos adiamentos da vigência da norma. O contexto é urgente: dados do Ministério da Previdência Social revelam que o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, um recorde histórico. Com a NR-1, espera-se que o monitoramento mais rigoroso de horas extras e do clima organizacional possa reverter essa curva de adoecimento que sobrecarrega tanto o sistema público de saúde quanto a previdência social.

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