Economia

Funcionário do Google é acusado de fraude após lucrar US$ 1,2 milhão com dados privilegiados

Engenheiro utilizou acesso a sistemas internos para antecipar resultados de pesquisas e lucrar em plataforma de previsões.

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Redação 360 Notícia
28 de maio de 2026 às 05:003 min
Funcionário do Google é acusado de fraude após lucrar US$ 1,2 milhão com dados privilegiados
Foto: Reprodução
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Engenheiro de software do Google é acusado nos EUA de usar informações privilegiadas sobre tendências de busca para lucrar US$ 1,2 milhão no site Polymarket. O caso envolve fraude eletrônica e levanta discussões sobre ética em mercados de previsão.

Um engenheiro de software do Google, identificado como Michele Spagnuolo, está no centro de um escrutínio federal nos Estados Unidos após ser acusado de utilizar dados confidenciais da gigante de tecnologia para obter lucros expressivos em uma plataforma de apostas. De acordo com as investigações conduzidas pela Procuradoria do Distrito Sul de Nova York em conjunto com o FBI, o funcionário teria acessado sistemas internos para antecipar resultados de tendências de busca antes de sua divulgação global. A ação resultou em um ganho financeiro estimado em US$ 1,2 milhão (aproximadamente R$ 7 milhões na cotação atual), o que levou à abertura de um processo criminal por fraude eletrônica, fraude de commodities e lavagem de dinheiro.

O caso evidencia os riscos éticos e legais dos chamados "mercados de previsão", plataformas onde usuários compram e vendem contratos baseados na probabilidade de eventos futuros ocorrerem. No episódio específico, Spagnuolo, que atua na sede suíça da empresa desde 2014, teria utilizado o pseudônimo "AlphaRacoon" para realizar apostas massivas na Polymarket. O alvo da especulação foi a lista anual de tendências do Google, especificamente quem seria a pessoa mais pesquisada do ano. Ao ter acesso privilegiado aos dados de tráfego do motor de busca, o engenheiro apostou US$ 2,5 milhões no cantor norte-americano D4vd, em um momento em que as chances de mercado para o artista eram consideradas mínimas pela comunidade externa.

A mecânica do crime financeiro, segundo os procuradores federais, envolveu a violação direta das políticas de confidencialidade rigorosas do Google. Os sistemas da companhia emitem alertas constantes de que os dados de busca são privados e para uso exclusivo profissional. No entanto, o engenheiro ignorou tais advertências entre os meses de outubro e dezembro. Assim que o Google publicou oficialmente seus rankings de final de ano, em 4 de dezembro, confirmando D4vd no topo, os contratos de Spagnuolo dispararam em valor. Após a liquidação das apostas, o acusado teria tentado ocultar a origem dos fundos e a natureza ilícita da operação, o que fundamentou a acusação de lavagem de dinheiro.

Este incidente repercute fortemente no Brasil e no cenário internacional, pois toca na vulnerabilidade das empresas de tecnologia diante do comportamento de seus próprios colaboradores. Para o leitor brasileiro, o tema se torna relevante à medida que o governo federal discute a regulamentação das casas de apostas (as "bets") e enfrenta o crescimento de plataformas de previsão que permitem palpites sobre temas que vão além dos esportes, abrangendo política e cultura pop. A ideia de que dados internos de uma das maiores empresas do mundo possam ser manipulados para ganhos pessoais em sites de apostas gera um alerta sobre a necessidade de mecanismos de compliance farmacêutico e tecnológico mais robustos, além de questionar a integridade dos próprios sites de mercado preditivo.

O procurador Jay Clayton destacou que o caso serve como uma mensagem clara ao setor corporativo: o uso de informações privadas para manipular mercados, independentemente do ambiente ser uma bolsa de valores tradicional ou uma plataforma de criptomoedas e previsões, será punido rigorosamente. Historicamente, casos semelhantes já levantaram suspeitas em eventos geopolíticos, como apostas precisas sobre quedas de regimes políticos antes de intervenções militares serem anunciadas. Agora, a justiça estadunidense aguarda os próximos desdobramentos do processo, enquanto o Google deve revisar seus protocolos internos de acesso a dados estatísticos sensíveis para evitar novas brechas que possam ser exploradas por funcionários em busca de lucro fácil.

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