Interior de SP recebe data center bilionário voltado exclusivamente para Inteligência Artificial
Com investimento de US$ 1,2 bilhão, a estrutura 'Sumaré 3' será o cérebro para processamento de inteligência artificial de uma gigante global.

Interior de São Paulo receberá investimento bilionário para a construção do primeiro data center exclusivo para IA no Brasil. Com custo de US$ 1,2 bilhão, o projeto em Sumaré atenderá uma gigante de tecnologia e utilizará sistemas avançados de resfriamento líquido para suportar alta demanda energética.
O cenário tecnológico brasileiro está prestes a vivenciar uma transformação significativa com o anúncio de um novo empreendimento de infraestrutura digital no interior de São Paulo. A Ascenty, empresa líder no setor de centros de processamento de dados, revelou detalhes sobre a construção do "Sumaré 3", um data center desenvolvido exclusivamente para atender às demandas de Inteligência Artificial (IA). Com um investimento inicial de US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 6,5 bilhões), a estrutura foi apresentada oficialmente na última quarta-feira (27) e tem previsão de entrega para os próximos 18 meses. O projeto já nasce com um cliente de peso: uma gigante global de tecnologia, cujo nome permanece sob sigilo contratual, que deve investir outros US$ 5 bilhões em equipamentos de ponta para ocupar as instalações.
Diferente dos data centers convencionais, que funcionam prioritariamente como depósitos de informações e servidores para aplicações cotidianas, o Sumaré 3 foi concebido como um centro nevrálgico para o processamento complexo de algoritmos de IA. Esse tipo de operação exige uma infraestrutura drasticamente mais robusta. Enquanto em um centro de dados comum cada rack de servidores opera com uma carga de aproximadamente 8 quilowatts (kW), as estruturas voltadas para IA no novo complexo de Sumaré operarão em uma escala entre 60 kW e 1 megawatt (MW) por rack. Esse salto de potência é necessário para suportar as unidades de processamento gráfico (GPUs) de alto desempenho, que consomem eletricidade de forma intensiva para realizar bilhões de cálculos simultâneos por segundo.
Um dos maiores desafios de um projeto dessa magnitude é o gerenciamento térmico. O calor gerado pelo processamento massivo de IA inviabiliza o uso exclusivo de sistemas de ar-condicionado tradicionais, que dependem da circulação de ar frio. Para solucionar este entrave, o Sumaré 3 utilizará a tecnologia de "liquid cooling" (resfriamento líquido). Neste sistema, fluidos refrigerantes circulam diretamente pelos componentes de hardware, absorvendo o calor de forma muito mais eficiente e permitindo que os chips operem em sua máxima capacidade sem riscos de superaquecimento. Além de ser essencial para a performance, essa técnica é considerada fundamental para a sustentabilidade do projeto, uma vez que utiliza sistemas de circuito fechado que evitam o desperdício de água, permitindo que o mesmo recurso seja reaproveitado inúmeras vezes ao longo da vida útil da operação.
A escolha de Sumaré e do interior paulista como sede para este "cérebro digital" não é aleatória. A região de Campinas consolidou-se como um polo tecnológico devido à combinação de fatores estratégicos: oferta estável de energia elétrica, densa rede de conectividade por fibra óptica e proximidade geográfica com a capital paulista. De acordo com o CEO da Ascenty, Christopher Torto, o Brasil possui um diferencial competitivo perante outros países: o excedente de energia elétrica proveniente de matrizes majoritariamente renováveis e um custo energético significativamente menor do que o encontrado nos Estados Unidos, por exemplo. Isso torna o território brasileiro um terreno fértil para a expansão acelerada da infraestrutura de IA, setor que requer fontes limpas de energia para mitigar o impacto ambiental das operações.
O impacto deste investimento para o Brasil é profundo, sinalizando a posição do país como um hub tecnológico na América Latina para a era da Inteligência Artificial. Além do Sumaré 3, a Ascenty planeja a construção de outros três centros na mesma região, totalizando uma capacidade de 150 megawatts (MW) de processamento. Esse movimento representa um crescimento de 40% na capacidade da empresa em apenas poucos meses, comparado aos últimos 15 anos de história da companhia. Para os brasileiros, isso reflete em uma infraestrutura digital mais potente e na atração de investimentos de alto valor agregado, posicionando o setor de tecnologia nacional na vanguarda do processamento de dados global e estimulando a criação de ecossistemas de inovação no interior paulista.






