Brasil e Suriname assinam pacto contra o crime transnacional em reunião no Planalto
Encontro bilateral entre Lula e Jennifer Geerlings-Simons foca em segurança na Amazônia, integração logística e parcerias no setor de petróleo.

O presidente Lula recebe hoje a presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, para assinar acordos estratégicos. O encontro foca no combate ao crime organizado, segurança na Amazônia e novas rotas de exportação entre os dois países vizinhos.
Nesta quinta-feira (28), o Palácio do Planalto, em Brasília, sedia um encontro estratégico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a recém-eleita presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons. A reunião bilateral marca um momento histórico para as relações diplomáticas na América do Sul, uma vez que Simons é a primeira mulher a conduzir o país vizinho. O foco central da agenda oficial é a formalização de acordos bilaterais voltados, primordialmente, para o enfrentamento ao crime organizado transnacional e para a intensificação da cooperação ambiental em áreas de floresta amazônica compartilhada.
O diálogo entre as duas nações ocorre em um cenário de necessidade mútua de fortalecimento da segurança nas fronteiras. Brasil e Suriname dividem uma linha fronteiriça de 593 quilômetros, a menor extensão entre os vizinhos brasileiros, mas que apresenta desafios logísticos e geográficos significativos. Localizada entre os estados do Pará e Amapá, a divisa é composta por densa mata amazônica e terrenos de difícil acesso, o que facilita a atuação de grupos criminosos ligados ao garimpo ilegal e ao tráfico de entorpecentes. A assinatura dos novos protocolos de segurança visa criar mecanismos de inteligência conjunta para asfixiar as rotas ilícitas que atravessam a região Norte.
Além da pauta de segurança pública, o governo brasileiro e a comitiva surinamesa pautaram a integração logística como um pilar para o desenvolvimento econômico regional. Entre os projetos em discussão, destaca-se a viabilização de rotas marítimas pelo norte do Brasil e investimentos em infraestrutura que permitam a fluidez das exportações. Para o Suriname, que possui o petróleo e o ouro como seus principais motores econômicos, a parceria com o Brasil oferece uma janela de oportunidade para o agronegócio e para a ampliação da segurança alimentar, áreas em que o governo Lula pretende transferir tecnologia e expertises sociais.
O Ministério das Comunicações informou que a agenda bilateral foi dividida em quatro eixos prioritários: energia (com foco em petróleo), conectividade digital, infraestrutura de transporte e programas de assistência social. A preparação para este encontro teve início no começo da semana, quando uma comitiva de ministros surinameses desembarcou na capital federal para reuniões técnicas com seus homólogos brasileiros. Esse diagnóstico prévio serviu para mapear gargalos e estruturar as soluções que serão agora ratificadas pelos chefes de Estado, garantindo que os acordos tenham aplicabilidade imediata.
No campo diplomático e ambiental, o alinhamento entre Brasília e Paramaribo é visto como fundamental para os fóruns internacionais. Com 95% de seu território coberto por florestas, o Suriname é um aliado essencial nas discussões sobre mudanças climáticas e preservação da biodiversidade. Recentemente, o Brasil demonstrou seu apoio político ao vizinho ao endossar a candidatura do chanceler surinamês para a Organização dos Estados Americanos (OEA). A expectativa é que, a partir desta visita, os dois países consolidem uma frente unida na proteção da Amazônia e na atração de investimentos internacionais para o desenvolvimento sustentável da bacia amazônica.






