Economia

IPCA-15 acelera 0,62% em maio e prévia da inflação acumula 4,64% em um ano

Puxado por alimentos e energia elétrica, o IPCA-15 superou as expectativas do mercado e ultrapassou o teto da meta em 12 meses.

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Redação 360 Notícia
27 de maio de 2026 às 13:003 min
IPCA-15 acelera 0,62% em maio e prévia da inflação acumula 4,64% em um ano
Foto: Reprodução
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A prévia da inflação oficial do país (IPCA-15) registrou alta de 0,62% em maio, impulsionada principalmente pelos custos de alimentos e energia elétrica. O índice acumulado em 12 meses chegou a 4,64%, superando o teto da meta estabelecida pelo governo.

O cenário econômico brasileiro apresentou novos sinais de alerta em maio, com a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). Segundo os dados oficiais apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a prévia da inflação oficial do país registrou um avanço de 0,62% no mês. Embora o número represente uma desaceleração quando comparado ao salto de 0,89% observado em abril, o resultado superou as projeções de analistas do mercado financeiro, que previam uma alta ligeiramente menor, em torno de 0,57%. Com esse desempenho, a inflação acumulada nos últimos doze meses atingiu o patamar de 4,64%, evidenciando a persistência de pressões inflacionárias no cotidiano das famílias brasileiras.

A análise detalhada dos setores revela que o orçamento doméstico foi fortemente impactado por itens básicos. O grupo de Alimentação e Bebidas foi o principal responsável pela pressão sobre o índice, apresentando uma alta expressiva de 1,38%. Dentro dessa categoria, os alimentos consumidos no domicílio continuam sendo o grande vilão, com destaque para a batata-inglesa, que disparou mais de 26%, e o tomate, com alta superior a 12%. O leite longa vida e as carnes também registraram aumentos significativos, pesando diretamente no prato do consumidor. Esse movimento nos preços dos alimentos é frequentemente influenciado por fatores sazonais e condições climáticas que afetam a safra, além dos custos de logística que permanecem elevados no território nacional.

Outro ponto de preocupação para o governo e para a população é o setor de habitação, que subiu 1,03% em maio. O grande protagonista deste aumento foi a conta de luz. A energia elétrica residencial teve um impacto individual determinante no IPCA-15, impulsionada pelo retorno da bandeira tarifária amarela, que adiciona custos extras aos consumidores devido às condições menos favoráveis de geração de energia. Além da bandeira, reajustes tarifários autorizados em capitais como Fortaleza, Salvador e Recife contribuíram para elevar o custo da moradia. Paralelamente, o grupo de saúde e cuidados pessoais também avançou (1,05%), refletindo o impacto direto do reajuste anual nos preços dos medicamentos, autorizado em abril, e o encarecimento de itens de higiene pessoal.

A inflação acumulada de 4,64% em doze meses coloca o indicador acima do limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta central estipulada para o período é de 3%, com uma margem de tolerância que permite que o índice chegue até 4,5%. A ultrapassagem desse teto, mesmo que pontual, acende o sinal amarelo para o Banco Central e sua política de controle de taxas de juros (Selic). Desde que o sistema de meta contínua foi implementado, o monitoramento tornou-se ainda mais rigoroso, exigindo que a autoridade monetária avalie se os choques atuais são temporários ou se exigirão medidas mais severas para evitar o descumprimento das diretrizes econômicas ao longo do ano.

Em contrapartida, o setor de transportes trouxe um leve alívio ao índice geral, apresentando uma queda de 0,33%. Esse recuo foi puxado pela baixa nos preços dos combustíveis, com destaque para a redução nos valores do etanol, óleo diesel e gasolina. No entanto, o setor aéreo não seguiu essa tendência e registrou uma retomada na alta das passagens, o que impede uma deflação mais acentuada no grupo. Para os próximos meses, o mercado seguirá atento ao comportamento dos preços internacionais do petróleo e à volatilidade do câmbio, fatores que influenciam diretamente tanto os custos de transporte quanto o preço final dos alimentos. A manutenção do IPCA-15 em níveis elevados indica que o combate à inflação no Brasil ainda enfrenta desafios estruturais e externos significativos.

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