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PF e CGU deflagram operação contra esquema nacional de fraudes em aposentadorias do INSS

Operação Sem Desconto cumpre 31 mandados contra associações acusadas de realizar cobranças indevidas em folhas de pagamento de idosos.

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Redação 360 Notícia
27 de maio de 2026 às 10:003 min
PF e CGU deflagram operação contra esquema nacional de fraudes em aposentadorias do INSS
Foto: Reprodução
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A Operação Sem Desconto, da PF e CGU, cumpre 31 mandados contra fraudes em aposentadorias no DF, SP, PE e PB. O esquema envolvia descontos indevidos em folhas de pagamento do INSS realizados por associações suspeitas. Entenda os detalhes da investigação autorizada pelo STF.

Uma grande ofensiva liderada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU) foi deflagrada nesta quarta-feira (27), marcando uma nova etapa da Operação Sem Desconto. A ação mira o desmantelamento de uma sofisticada rede criminosa especializada em fraudar aposentadorias e pensões de milhares de brasileiros. O esquema, que operava em nível nacional, consistia na realização de descontos indevidos e não autorizados diretamente nas folhas de pagamento dos beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As ordens judiciais, que incluem buscas e prisões domiciliares com monitoramento eletrônico, foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), evidenciando a gravidade e o alcance das irregularidades investigadas pelas autoridades federais.

Ao todo, os agentes federais estão cumprindo 31 mandados de busca e apreensão. Além disso, a Justiça autorizou oito medidas cautelares de monitoramento por tornozeleira eletrônica e outras restrições patrimoniais severas para impedir que os envolvidos ocultem bens ou continuem a dilapidar recursos obtidos ilegalmente. A operação se concentra em pontos estratégicos do país, abrangendo o Distrito Federal e os estados de São Paulo, Pernambuco e Paraíba. Em solo paulista, a ofensiva é especialmente intensa, com o cumprimento de nove mandados direcionados a endereços ligados a associações que, sob a fachada de prestação de serviços ou representação de classe, estariam operando o mecanismo de arrecadação ilícita.

As investigações apontam que pelo menos quatro entidades estão no centro do escrutínio policial em São Paulo: as associações Amar, Master Prev, AASP e ANDAPP. O modus operandi do grupo envolvia a filiação fraudulenta de aposentados a essas entidades sem qualquer consentimento prévio. Uma vez inseridos no sistema, pequenos valores eram debitados mensalmente dos benefícios previdenciários. Embora individualmente as quantias pudessem parecer insignificantes para alguns, o volume total acumulado, somando-se milhares de vítimas em todo o território nacional, gerava um faturamento ilícito de milhões de reais para a organização criminosa. Os crimes apurados incluem estelionato previdenciário, constituição de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

O contexto desse tipo de fraude é uma preocupação crescente para o governo brasileiro, que tem buscado endurecer o controle sobre as consignações e descontos em folha. Para o segurado do INSS, muitas vezes idoso e em situação de vulnerabilidade econômica, a percepção do desconto pode demorar meses, ou até anos, para ser notada. A relevância desta operação reside na proteção das verbas alimentares de uma população que depende integralmente desses recursos para a sobrevivência básica, como a compra de medicamentos e alimentos. A atuação conjunta da CGU e da PF reforça a necessidade de auditorias constantes nos sistemas de repasse de valores e na verificação da legitimidade das assinaturas e contratos que autorizam tais débitos.

Com o avanço das investigações e a análise dos materiais apreendidos — que incluem documentos, computadores e dispositivos móveis —, a expectativa é que novas ramificações do esquema sejam descobertas. As autoridades buscam identificar se houve participação de servidores públicos na facilitação do acesso a dados sigilosos de beneficiários para alimentar o banco de dados das falsas associações. Para o leitor brasileiro e, especialmente, para o beneficiário do INSS, o desdobramento desta ação serve como um alerta para a conferência rigorosa e mensal do extrato de pagamento disponível no portal Meu INSS. O governo deve anunciar em breve novas camadas de segurança e protocolos de confirmação biométrica para evitar que entidades não reconhecidas voltem a realizar descontos automáticos sem anuência expressa.

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