Economia

Conselho da Paz de Trump registra saldo zero e enfrenta impasse financeiro internacional

Iniciativa liderada pelo ex-presidente dos EUA patina com falta de transparência e exigências de aportes bilionários para países participantes.

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Redação 360 Notícia
27 de maio de 2026 às 13:003 min
Conselho da Paz de Trump registra saldo zero e enfrenta impasse financeiro internacional
Foto: Reprodução
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Iniciativa de Donald Trump para reconstrução de Gaza enfrenta saldo zero em conta oficial e críticas por falta de transparência. Entenda as dificuldades do Conselho da Paz e a posição do Brasil diante das exigências bilionárias para participação no grupo de influência internacional.

O ambicioso projeto arquitetado por Donald Trump para a pacificação e reconstrução da Faixa de Gaza, denominado Conselho da Paz, enfrenta uma crise de credibilidade e financiamento apenas meses após sua criação. Segundo informações reveladas pelo jornal Financial Times, a iniciativa, que se propunha a ser o pilar da estabilidade no Oriente Médio, ainda não registrou a entrada de recursos em sua conta oficial, mantendo um saldo de "zero dólar" na estrutura financeira destinada a subsidiar os projetos de infraestrutura e governança na região conflagrada. O cenário contrasta drasticamente com as promessas bilionárias de aporte financeiro que acompanharam o anúncio do fórum durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

A gênese do Conselho da Paz remonta a janeiro deste ano, quando Trump, em um movimento diplomático unilateral, buscou criar uma alternativa aos mecanismos tradicionais de ajuda humanitária e reconstrução liderados por organismos multilaterais. Diferente dos procedimentos padrão, que geralmente utilizam fundos geridos pelo Banco Mundial sob supervisão da Organização das Nações Unidas (ONU), a iniciativa de Trump optou por uma estrutura mais centralizada. O plano previa que o próprio ex-presidente e agora reeleito líder americano dirigisse pessoalmente o conselho, utilizando uma conta no banco JPMorgan para gerir as doações, o que gerou críticas imediatas sobre a falta de mecanismos independentes de transparência e governança institucional internacional.

O esvaziamento financeiro do projeto está diretamente ligado aos custos exorbitantes e às exigências políticas impostas para a participação de Estados-membros. De acordo com fontes próximas ao processo citadas pela imprensa britânica, o valor estipulado para que um país garanta um assento permanente no Conselho chega à cifra de 1 bilhão de dólares. Países de peso geopolítico significativo, como a Indonésia, já manifestaram publicamente o desinteresse em desembolsar tais quantias sob a administração exclusiva de Trump. Para complicar o quadro, as nações da União Europeia têm mantido uma distância cautelosa do fórum, alegando que o modelo concede um espaço desproporcional a aliados ideológicos e parceiros históricos do ex-presidente, em detrimento de uma abordagem diplomática coletiva e equilibrada.

No cenário latino-americano, o movimento despertou reações mistas. Presidentes como Javier Milei, da Argentina, e Santiago Peña, do Paraguai, declararam apoio entusiasta à iniciativa de Trump, vendo nela uma oportunidade de alinhamento estratégico com Washington. Contudo, o Brasil adotou uma postura pragmática e de cautela. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora tenha mantido diálogos cordiais com Trump sobre o convite para integrar o grupo, tem buscado evitar uma negativa direta ao mesmo tempo em que propõe alterações profundas na governança do Conselho. A diplomacia brasileira tradicionalmente defende que processos de reconstrução pós-guerra sejam conduzidos sob a égide do direito internacional e com fiscalização transparente, temendo que um fundo privado sob controle político possa servir a interesses pontuais em vez da estabilidade regional duradoura.

Enquanto o vácuo financeiro persiste, a realidade no terreno em Gaza torna-se cada vez mais urgente. Estudos conjuntos entre as Nações Unidas, a União Europeia e o Banco Mundial indicam que as necessidades de reconstrução para a próxima década superam os 71 bilhões de dólares. Até o momento, os únicos movimentos financeiros registrados foram pequenos desembolsos destinados a custear a estrutura administrativa do escritório do Alto Representante do Conselho, Nikolai Mladenov, além de recursos dos Emirados Árabes Unidos que permanecem congelados. Sem a adesão de grandes doadores e a revisão do modelo de governança, o Conselho da Paz de Trump corre o risco de se tornar uma estrutura meramente simbólica, deixando um hiato perigoso na coordenação dos esforços internacionais para a estabilização do Oriente Médio.

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