Vídeo: Guarda Municipal de folga agride morador após queixa de som alto em igreja de SC
Morador que reclamava de barulho há quatro anos foi atingido por socos; agente foi afastado e caso é investigado pela Polícia Civil.

Um morador de Balneário Camboriú foi agredido com socos por um guarda municipal de folga após reclamar do som alto de uma igreja. A cena foi filmada e o caso, que envolve queixas antigas sobre poluição sonora e o bem-estar de uma criança autista, gerou o afastamento do agente.
Um episódio de violência em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, gerou indignação e acendeu um debate sobre a postura de agentes de segurança pública mesmo quando não estão em serviço. Um morador da cidade, identificado como Tiago Alves, denunciou ter sido brutalmente agredido por um guarda municipal que estava de folga. O incidente ocorreu em frente a um templo religioso da Igreja Assembleia de Deus Missão Avivalista (ADMA), após uma discussão motivada por queixas recorrentes sobre o volume excessivo do som durante os cultos. Imagens de circuitos de segurança registraram o momento em que a vítima foi atingida por diversos socos, chegando a perder a consciência momentaneamente.
A motivação por trás do conflito não é recente. Segundo o relato da vítima, o problema com a poluição sonora vinda da igreja persiste há aproximadamente quatro anos. Tiago Alves, que reside em frente ao local há duas décadas, explicou que a situação é particularmente delicada para sua família, pois ele é pai de uma criança de nove anos com transtorno do espectro autista (TEA). Para pessoas com autismo, a sensibilidade auditiva pode transformar ruídos altos em fontes de sofrimento físico e emocional severo. O morador afirmou que já havia tentado resolver a questão por vias legais diversas vezes, somando mais de 17 boletins de ocorrência registrados contra o estabelecimento religioso ao longo dos últimos anos.
O registro audiovisual da agressão, que circula nas redes sociais e integra o inquérito, mostra Tiago sendo confrontado pelo guarda. De acordo com o depoimento do morador, ele tentou filmar o início da abordagem com seu celular, mas foi repelido pelo agressor. As imagens mostram que, após os primeiros golpes, a vítima caiu e continuou sendo agredida enquanto já não oferecia qualquer resistência. Após o ocorrido, intervenções de terceiros cessaram a violência, e Tiago precisou ser encaminhado para atendimento médico, onde recebeu seis pontos na boca em decorrência dos ferimentos. A Guarda Municipal de Balneário Camboriú agiu prontamente após a repercussão, instaurando um processo administrativo e afastando o servidor das atividades operacionais nas ruas.
Em sua defesa institucional, a Secretaria de Segurança e Ordem Pública do município ressaltou que a conduta de seus agentes deve ser pautada pelo profissionalismo e ética, independentemente de estarem fardados ou em horário de descanso. A corporação destacou que medidas disciplinares rigorosas serão aplicadas caso a infração funcional seja comprovada. Paralelamente, a Igreja ADMA publicou uma nota oficial repudiando qualquer forma de violência. A instituição religiosa buscou se distanciar do ocorrido, classificando o episódio como um "fato isolado" ocorrido em via pública e sem ligação direta com os cultos ou com a organização da igreja, apesar de o agressor estar frequentando o local no momento da confusão.
O pano de fundo jurídico desta agressão revela uma longa batalha judicial. Em março de 2025, o Ministério Público de Santa Catarina já havia apresentado uma denúncia formal contra a igreja por crime ambiental de poluição sonora. Estudos técnicos realizados pela Secretaria do Meio Ambiente e perícias da Polícia Científica confirmaram que, em determinados períodos, os níveis de decibéis ultrapassavam o permitido para zonas residenciais. Embora a igreja afirme ter realizado adequações acústicas recentes para cumprir as normas vigentes, a tensão entre os vizinhos e os frequentadores escalou até culminar na violência física registrada. O caso agora segue sob investigação da Polícia Civil, enquanto o processo administrativo na corregedoria da guarda busca determinar a permanência do agressor nos quadros da instituição.





