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Transformação drástica em rua de Cuiabá reacende debate sobre arborização e calor

Remoção de figueiras em rua tradicional da capital mato-grossense gera polêmica enquanto cidade enfrenta perda histórica de áreas verdes.

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Redação 360 Notícia
27 de maio de 2026 às 00:003 min
Transformação drástica em rua de Cuiabá reacende debate sobre arborização e calor
Foto: Reprodução
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Vídeo comparativo mostra a supressão de árvores na Rua Baltazar Navarro, em Cuiabá, e levanta debate urgente sobre o planejamento urbano. A prefeitura justifica a retirada por riscos estruturais, mas dados mostram que a capital perdeu mais de 55 mil hectares de área verde em três décadas.

Uma gravação que circula nas plataformas digitais acendeu um alerta sobre o futuro da arborização em Cuiabá, cidade historicamente conhecida pelo apelido de "Cidade Verde". O vídeo apresenta o contraste visual e estrutural da Rua Baltazar Navarro, situada no bairro Bandeirantes, antes e depois da supressão de uma série de árvores de grande porte. Em apenas doze meses, o cenário de sombra e frescor deu lugar a uma paisagem árida, dominada pelo asfalto e pelo concreto, o que gerou uma intensa onda de críticas e preocupações entre os moradores locais e especialistas em meio ambiente sobre o gerenciamento das áreas verdes na capital mato-grossense.

A intervenção, que resultou no corte de cinco espécimes de figueiras (Ficus benjamina), foi oficialmente autorizada pela Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb). De acordo com o posicionamento da gestão municipal, o procedimento não foi arbitrário, mas fundamentado em análises de segurança pública e infraestrutura. O laudo técnico apontou que os exemplares estavam em estágio avançado de senescência — o envelhecimento natural que compromete a saúde da planta —, além de apresentarem infestações de cupins e apodrecimento dos troncos. Outro fator decisivo para a remoção foi a agressividade das raízes, que já estariam danificando calçadas e sistemas de tubulação subterrânea.

O caso da Rua Baltazar Navarro reacende o debate sobre a escolha de espécies para o mobiliário urbano. A Ficus benjamina, amplamente utilizada em décadas passadas, é hoje considerada inadequada para o ambiente citadino devido ao crescimento descontrolado de suas raízes e à vulnerabilidade estrutural. No entanto, para compensar a perda, a prefeitura estabeleceu o replantio imediato de cinco mudas de árvores nativas no mesmo local. Estas novas unidades devem seguir padrões rigorosos: altura mínima de 1,80 metro e diâmetro de pelo menos dois centímetros, garantindo que a regeneração da copa ocorra de forma mais rápida e planejada que um plantio comum.

O contexto de Cuiabá em relação ao seu patrimônio ambiental é alarmante e vai além de uma rua isolada. Pesquisas recentes desenvolvidas pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e levantamentos do Instituto Centro de Vida (ICV) revelam que a cidade está falhando em cumprir as recomendações mínimas de arborização da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nos últimos 30 anos, Cuiabá viu desaparecer aproximadamente 55 mil hectares de cobertura vegetal, uma área que supera em 700 vezes a extensão do Parque Mãe Bonifácia. Essa lacuna verde se traduz diretamente em um aumento drástico da temperatura média, criando as chamadas "ilhas de calor", onde o asfalto e o concreto absorvem e irradiam a radiação solar sem o bloqueio natural das sombras.

Para o leitor brasileiro, especialmente o residente de regiões de clima tropical e equatorial, o episódio serve como um exemplo das consequências do crescimento urbano desordenado. A ausência de árvores não é apenas uma questão estética, mas de saúde pública e economia. A falta de proteção vegetal aumenta o consumo de energia elétrica pelo uso intensivo de ar-condicionado e agrava doenças respiratórias devido ao ar mais seco e poluído. A expectativa agora recai sobre o cumprimento rigoroso das medidas compensatórias prometidas pela prefeitura e sobre a criação de um plano de arborização que priorize espécies regionais e resilientes, evitando que mais bairros de Cuiabá percam sua identidade ambiental para o avanço da pavimentação sem planejamento.

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