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Veterinária denuncia morte de cadela por envenenamento após ameaças em Franca

Após histórico de ameaças por barulho, cadela morre ao comer alimento contaminado na calçada em Franca; Polícia Civil investiga o caso.

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Redação 360 Notícia
27 de maio de 2026 às 01:003 min
Veterinária denuncia morte de cadela por envenenamento após ameaças em Franca
Foto: Reprodução
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Uma veterinária de Franca (SP) denuncia o envenenamento de sua cadela após encontrar "chumbinho" no vômito do animal. O caso ocorre em meio a um histórico de ameaças e bilhetes anônimos contra os pets da família. A Polícia Civil investiga o crime de maus-tratos.

Um caso de suposta crueldade animal está mobilizando as autoridades e a comunidade de Franca, no interior de São Paulo. A veterinária Kalaenny Silva Barbosa registrou um boletim de ocorrência após a morte de sua cachorra de estimação, chamada Pantera, no último sábado (23). Segundo o relato da profissional, o animal, uma fêmea sem raça definida de nove anos, apresentou sintomas agudos de envenenamento logo após ingerir alimentos depositados na calçada oposta à sua residência. A tutora afirma ter identificado visualmente a presença de "chumbinho" — um raticida ilegal e extremamente tóxico — no conteúdo ejetado pela cadela durante as tentativas de socorro.

O episódio ganha contornos ainda mais graves devido a um histórico de conflitos na vizinhança. De acordo com Kalaenny, a família vinha sendo alvo de ameaças anônimas há cerca de um ano. Bilhetes foram deixados em sua residência com reclamações sobre o barulho dos cães, e relatos de vizinhos indicavam que pessoas não identificadas já teriam manifestado a intenção de matar os animais por envenenamento. A veterinária descreveu Pantera como um animal dócil, carinhoso e muito integrado à rotina familiar, o que torna a perda ainda mais impactante para os moradores da casa. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que a cadela atravessou a rua, consumiu o que parecia ser uma mistura de bolo com mortadela e retornou para o interior do imóvel antes de começar a passar mal.

O quadro clínico descrito pela veterinária é característico de intoxicação grave por substâncias inibidoras da colinesterase, comuns em pesticidas clandestinos. Pantera apresentou tremores musculares intensos, salivação excessiva (sialorreia), vômito e convulsões em um curto espaço de tempo. Kalaenny, que mesmo com sua formação técnica precisou do auxílio do irmão — também veterinário — devido ao estado emocional abalado, relatou que a quantidade de substância tóxica encontrada no vômito era elevada, o que reduziu drasticamente as chances de sobrevivência do animal. No Brasil, o uso e a comercialização do "chumbinho" são crimes previstos em lei, uma vez que o produto não possui registro na Anvisa para fins domésticos e representa um risco letal não apenas para animais, mas também para seres humanos, especialmente crianças.

Este caso em Franca não é um fato isolado na região e acende um alerta sobre a segurança dos animais domésticos em áreas urbanas. Recentemente, outros episódios similares foram registrados, incluindo situações onde substâncias suspeitas foram encontradas escondidas em alimentos como salsichas em pátios de igrejas e praças públicas. O crime de maus-tratos a animais, quando resulta em morte, teve as penas endurecidas pela Lei Sansão (Lei 14.064/2020), podendo levar o agressor à prisão por um período de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda. A investigação agora depende de laudos periciais que confirmem a composição química do material ingerido para que o autor do crime possa ser identificado e responsabilizado judicialmente.

A Polícia Civil de Franca assumiu o caso e deve analisar as imagens de monitoramento da rua para tentar identificar quem teria depositado o alimento contaminado na calçada. O laudo necroscópico e a análise laboratorial do material coletado serão fundamentais para a conclusão do inquérito. Enquanto aguarda o desfecho das investigações, a família busca conscientizar outros tutores sobre os perigos de ameaças de vizinhos e a importância de monitorar o que os animais ingerem durante passeios ou mesmo em frente às suas casas. O caso reforça a necessidade de uma convivência harmoniosa em sociedade e do uso de canais legais e civilizados para a resolução de conflitos sobre barulho ou comportamento de pets, rejeitando qualquer forma de violência ou retaliação contra seres indefesos.

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