Quem é Dr. Furlan, o ex-prefeito de Macapá investigado pela Polícia Federal
Dr. Furlan é alvo da Operação Palanque Digital, que apura desvio de R$ 25 milhões para promover rede de ataques a opositores.

A Polícia Federal investiga o ex-prefeito Dr. Furlan por suposto envolvimento em uma milícia digital financiada com R$ 25 milhões da Prefeitura de Macapá. O esquema visava autopromoção e ataques a adversários políticos na capital do Amapá.
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (26), a Operação Palanque Digital, que coloca novamente o ex-prefeito de Macapá, Antônio Paulo de Oliveira Furlan, conhecido como Dr. Furlan (PSD), no centro de graves investigações criminais. O foco da ação atual é a desarticulação de uma suposta milícia digital que teria operado com o financiamento ilícito de recursos públicos oriundos da Prefeitura da capital amapaense. De acordo com os investigadores, o esquema envolveria o desvio de mais de R$ 25 milhões para sustentar uma rede de autopromoção política e de ataques sistemáticos a opositores, utilizando influenciadores e agências de publicidade.
A trajetória de Dr. Furlan na política amapaense é marcada por uma ascensão meteórica e por vitórias eleitorais expressivas, contrastadas agora por um cerco jurídico crescente. Formado em medicina e cardiologista, ele iniciou sua vida pública em 2010 como suplente de deputado estadual, assumindo a cadeira em 2013. Após ser reeleito para o legislativo estadual em duas ocasiões, Furlan conquistou a prefeitura de Macapá em 2020. Sua popularidade atingiu o ápice em 2024, quando foi reeleito com 85% dos votos válidos, o maior percentual registrado entre todas as capitais brasileiras naquele pleito, consolidando sua liderança regional sob as siglas do MDB e, posteriormente, do PSD.
Entretanto, o sucesso nas urnas passou a ser acompanhado por operações da Polícia Federal que apontam irregularidades na gestão de recursos municipais. Antes mesmo da atual operação sobre milícias digitais, Furlan já havia sido alvo da Operação Paroxismo. A primeira fase desta investigação ocorreu em setembro de 2025, focando em supostas fraudes licitatórias e desvios nas obras do Hospital Geral Municipal de Macapá, um contrato estimado em quase R$ 70 milhões. A pressão aumentou na segunda fase, em março de 2026, quando mandados de busca foram cumpridos em endereços vinculados ao então prefeito, levando o Supremo Tribunal Federal a determinar o afastamento de servidores envolvidos nos processos sob suspeita.
O cenário de instabilidade política culminou na renúncia de Dr. Furlan ao cargo de prefeito no dia 5 de março de 2026, apenas um dia após ser alvo direto de medidas cautelares da PF. Na ocasião, o político negou que sua saída estivesse relacionada às investigações, afirmando que a renúncia visava permitir sua candidatura ao Governo do Amapá nas eleições futuras. Contudo, os desdobramentos da Operação Palanque Digital trazem novos elementos ao cenário de corrupção sistêmica alegado pelas autoridades. Foram emitidos cerca de 30 mandados de busca e apreensão contra jornalistas, políticos, ex-secretários municipais e sócios de uma agência de publicidade que teria sido o canal para os desvios milionários.
A gravidade das acusações sobre a formação de uma "milícia digital" financiada pelo erário público é vista por especialistas como um desafio para a democracia local, uma vez que a estrutura teria sido montada para distorcer o debate público e silenciar críticas por meio de campanhas de difamação coordenadas. Para o leitor brasileiro, o caso de Macapá se soma a outros similares em âmbito nacional, onde a internet é utilizada como ferramenta de manipulação financiada por esquemas de corrupção. A Polícia Federal segue analisando o material apreendido e as conexões entre os influenciadores e o alto escalão da antiga gestão municipal, o que pode resultar em novas ordens de prisão ou no bloqueio de bens dos envolvidos nos próximos meses.






