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PEC do fim da escala 6x1 avança no Congresso sob pressão de empresários por transição longa

Presidente da Câmara prevê aprovação célere, enquanto setor produtivo pressiona Senado por período de transição maior para evitar impactos econômicos.

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Redação 360 Notícia
26 de maio de 2026 às 12:003 min
PEC do fim da escala 6x1 avança no Congresso sob pressão de empresários por transição longa
Foto: Reprodução
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A PEC do fim da escala 6x1 avança na Câmara com apoio do presidente Hugo Motta, mas enfrenta resistências no Senado. Empresários tentam negociar um prazo de transição de quatro anos para adaptar escalas e custos operacionais, diferindo do cronograma acelerado proposto inicialmente.

O cenário legislativo brasileiro caminha para uma mudança estrutural profunda nas relações de trabalho com o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala 6x1. Segundo declarações recentes do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), a expectativa é de que a proposta seja aprovada na Casa ainda no decorrer desta semana. O movimento político ganhou força diante da pressão popular e da velocidade com que o tema passou a dominar a agenda do Congresso Nacional, forçando lideranças de diferentes espectros partidários a se posicionarem sobre a redução da jornada laboral no país.

Historicamente, a jornada de trabalho de 44 horas semanais, distribuídas muitas vezes em seis dias de trabalho para um de descanso, tem sido alvo de críticas por parte de sindicatos e especialistas em saúde ocupacional, que apontam prejuízos ao bem-estar e à produtividade do trabalhador. No entanto, o debate agora entra em uma fase de ajustes técnicos e negociações diretas entre o poder público e o setor produtivo. No Senado Federal, o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) indicou que a tendência de aprovação também é forte, porém, o texto deve enfrentar uma análise mais criteriosa quanto ao impacto econômico imediato e à necessidade de adaptação para diferentes ramos de atividade.

Um dos principais pontos de atrito reside no tempo de transição estabelecido no texto que tramita na Câmara. Atualmente, a proposta prevê que a jornada seja reduzida gradualmente até chegar às 40 horas semanais: a primeira etapa ocorreria em apenas 60 dias após a promulgação, com o corte de duas horas, e a segunda etapa aconteceria um ano depois, atingindo o limite final. O setor empresarial, representado por diversas confederações que se reúnem com o senador Davi Alcolumbre nesta semana, alega que esse prazo é insuficiente para a reorganização de escalas, especialmente em setores de serviços e comércio que operam de forma ininterrupta. A contraproposta do empresariado é elevar esse período de transição para quatro anos, permitindo um planejamento financeiro e operacional mais robusto.

O senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, destacou que, embora o clima para a aprovação seja favorável, é fundamental considerar as particularidades de cada segmento. Segundo o parlamentar, enquanto setores como a construção civil já apresentam maturidade para absorver a nova regra, o comércio pode necessitar de prazos diferenciados. Essa possibilidade de "escalonamento por setor" ganha força nos bastidores do Senado, sinalizando que a Casa pode atuar como uma instância revisora para suavizar o impacto da PEC sobre pequenos e médios empresários, fundamentais para a manutenção dos níveis de emprego no Brasil.

Para o leitor brasileiro, a aprovação dessa medida representa um dos marcos mais significativos na legislação trabalhista desde a Constituição de 1988. Especialistas acreditam que o ano eleitoral acelera o trâmite, uma vez que parlamentares buscam responder a uma demanda popular latente por maior tempo livre e qualidade de vida. Contudo, os próximos passos no Senado serão decisivos para definir se a mudança ocorrerá de forma abrupta ou se haverá a concessão do prazo de quatro anos pleiteado pelo setor privado. O desfecho das negociações deve equilibrar a urgência da justiça social com a viabilidade econômica de empresas que sustentam a economia nacional em tempos de recuperação pós-crise.

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