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Inadimplência bancária atinge pico histórico antes do lançamento do Desenrola 2.0

Taxa de atrasos com mais de 90 dias atingiu 4,4% em abril, igualando o recorde da série histórica iniciada em 2011.

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Redação 360 Notícia
28 de maio de 2026 às 12:003 min
Inadimplência bancária atinge pico histórico antes do lançamento do Desenrola 2.0
Foto: Reprodução
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Em abril, a taxa de inadimplência bancária igualou o recorde histórico de 4,4%, maior patamar desde 2011. O dado do Banco Central revela a pressão financeira sobre famílias e empresas brasileiras exatamente antes do início da segunda fase do programa Desenrola.

O cenário econômico brasileiro apresentou um dado preocupante no fechamento do primeiro quadrimestre deste ano. De acordo com informações divulgadas pelo Banco Central nesta quinta-feira (28), a taxa de inadimplência média nas operações de crédito das instituições bancárias brasileiras atingiu a marca de 4,4% em abril. O índice não apenas reflete um aumento nas dificuldades financeiras da população e das empresas, mas iguala o recorde histórico anteriormente registrado em fevereiro, consolidando o maior patamar de atrasos nos pagamentos desde que a série histórica revisada da autoridade monetária foi iniciada, em março de 2011.

Este levantamento estatístico do Banco Central monitora especificamente as operações que apresentam atrasos superiores a 90 dias, o que caracteriza a inadimplência consolidada, tanto para pessoas físicas quanto para o setor corporativo. O fenômeno ocorre em um contexto de taxas de juros que, embora tenham sofrido cortes parciais ao longo dos últimos meses, ainda exercem uma pressão significativa sobre o orçamento das famílias e o fluxo de caixa das companhias. O aumento dos calotes é um termômetro direto da capacidade de consumo e de investimento no país, sinalizando que a recuperação econômica ainda enfrenta obstáculos estruturais importantes.

A divulgação desses números acontece em um momento estratégico para as políticas públicas de crédito no Brasil. O pico da inadimplência em abril precedeu o lançamento oficial do Desenrola 2.0, a nova fase do programa federal de renegociação de dívidas que teve início em maio. A coincidência temporal entre o recorde de atrasos e o início do programa sugere que o Governo Federal tentou antecipar uma crise de liquidez mais profunda, oferecendo condições facilitadas para que consumidores e empresas limpassem seus nomes e voltassem a ter acesso ao mercado de crédito formal. O sucesso do Desenrola 2.0 agora é visto por economistas como peça-chave para reverter essa curva ascendente de devedores.

Para o setor bancário, o avanço da inadimplência exige uma postura de cautela e maior rigor na concessão de novos empréstimos. Quando os índices de atraso superam a média histórica, os bancos tendem a aumentar os spreads bancários — a diferença entre o custo de captação do dinheiro e o juro cobrado do cliente final — como forma de compensar o risco de crédito elevado. Isso gera um ciclo vicioso onde o crédito se torna mais caro justamente quando os agentes econômicos mais precisam dele para se reestruturar. Especialistas apontam que a estabilização deste indicador é fundamental para que o Comitê de Política Monetária (Copom) tenha maior conforto na manutenção de uma trajetória de queda estrutural dos juros.

Olhando para os próximos meses, o mercado aguarda os primeiros relatórios de impacto da nova etapa do programa de renegociação de dívidas. Espera-se que a retirada de milhões de CPFs e CNPJs da situação de inadimplência possa oxigenar a economia na segunda metade do ano. No entanto, a sustentabilidade dessa melhora depende de fatores macroeconômicos como a estabilidade do mercado de trabalho e o controle da inflação, que ditam o poder de compra real do brasileiro. Até lá, o índice de 4,4% servirá como uma marca simbólica dos desafios que o sistema financeiro nacional enfrenta para manter a solvência e o crescimento sustentado em um ambiente de volatilidade.

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