Dólar sobe com intensificação de tensões globais e foco no mercado de trabalho brasileiro
Escalada de conflitos no Oriente Médio e dados de emprego no Brasil pressionam o câmbio e a bolsa nesta quinta-feira.

A moeda americana sobe na abertura desta quinta-feira impulsionada por novos ataques militares entre Irã e EUA no Oriente Médio e pela alta do petróleo. No Brasil, investidores monitoram a redução da jornada de trabalho aprovada na Câmara e aguardam dados oficiais de emprego do Caged.
O mercado financeiro brasileiro iniciou as operações desta quinta-feira (28) sob um clima de cautela e aversão ao risco, refletindo diretamente nas cotações da moeda americana. O dólar registrou uma valorização de 0,24% logo nos primeiros minutos de negociação, sendo cotado no patamar de R$ 5,0728. O movimento de alta é impulsionado por uma combinação de fatores externos e internos, com destaque para o acirramento das hostilidades militares no Oriente Médio e a expectativa por indicadores econômicos cruciais no cenário doméstico, que podem influenciar as próximas decisões da política monetária nacional.
No cenário internacional, as atenções estão voltadas para a retomada dos confrontos diretos entre Irã e Estados Unidos, que colocam em risco o frágil acordo de cessar-fogo estabelecido em abril. A nova escalada ocorreu após a Guarda Revolucionária do Irã realizar ataques retaliatórios contra uma base aérea americana situada nas proximidades do aeroporto de Bandar Abbas. Segundo Teerã, a ofensiva foi uma resposta a bombardeios prévios executados por Washington em uma localidade estratégica no Estreito de Ormuz. Essa região é vital para o tráfego marítimo mundial, sendo a principal rota de escoamento de petróleo e gás, o que torna qualquer instabilidade no local um gatilho imediato para a volatilidade dos preços das commodities e das moedas globais.
Os desdobramentos geopolíticos já provocam impactos severos no mercado de energia. O barril de petróleo do tipo Brent registrou avanço de 2,8%, aproximando-se da marca de US$ 97, enquanto o WTI subiu 3%. O fortalecimento do petróleo gera um efeito cascata nas economias globais, pressionando a inflação e forçando investidores a buscarem refúgio no dólar. Paralelamente, os Estados Unidos anunciaram novas sanções econômicas contra a recém-fundada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), órgão criado pelo Irã para fiscalizar e cobrar taxas de navios mercantes na região, o que é visto pela Casa Branca como uma tentativa ilegítima de controle territorial sobre rotas internacionais.
No Brasil, a agenda política e econômica também contribui para a movimentação dos ativos. A Câmara dos Deputados aprovou recentemente uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, além de sinalizar o fim da escala de trabalho 6x1. Embora a medida seja celebrada por setores sociais, o mercado financeiro avalia os possíveis impactos nos custos de produção e na produtividade das empresas, aguardando agora a tramitação da proposta no Senado, onde a resistência deve ser maior. Além disso, o foco recai sobre o novo balanço do mercado de trabalho: enquanto o IBGE reportou uma taxa de desemprego de 5,8% no trimestre encerrado em abril, os investidores aguardam a divulgação dos dados do Caged para dimensionar a força da economia real e o potencial de consumo das famílias.
Para o leitor brasileiro, este cenário representa um desafio adicional para o controle da inflação e para as perspectivas de juros. Se o dólar e o petróleo continuarem em trajetória ascendente, os custos logísticos e de combustíveis tendem a subir, o que pode retardar eventuais cortes na taxa Selic pelo Banco Central. A curto prazo, a tendência é que o mercado permaneça em compasso de espera, monitorando as negociações de paz mediadas pelo Paquistão entre Washington e Teerã, ao mesmo tempo em que digere os dados oficiais do emprego formal no Brasil, que servirão de bússola para o desempenho do Ibovespa e do câmbio nos próximos dias.






