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Governo Trump inicia investigação criminal contra escritora E. Jean Carroll por suspeita de perjúrio

Investigação apura se a escritora mentiu sobre financiamento de processos contra o presidente por bilionário do LinkedIn.

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Redação 360 Notícia
28 de maio de 2026 às 12:003 min
Governo Trump inicia investigação criminal contra escritora E. Jean Carroll por suspeita de perjúrio
Foto: Reprodução
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Departamento de Justiça dos EUA abre investigação criminal contra a escritora E. Jean Carroll por suspeita de perjúrio. Inquérito foca no financiamento de seus processos contra Donald Trump, envolvendo bilionário do setor de tecnologia e contradições em depoimentos sob juramento.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) iniciou uma investigação de caráter criminal contra a escritora E. Jean Carroll, figura central de dois processos civis de repercussão global contra o presidente Donald Trump. A medida, confirmada por fontes ligadas ao governo federal e reportada inicialmente pela agência Reuters, foca na possibilidade de Carroll ter cometido perjúrio — o ato de mentir sob juramento — durante depoimentos prestados nas ações judiciais anteriores. O caso está sendo acompanhado de perto pelo gabinete do procurador dos EUA em Chicago, marcando um novo e tenso capítulo na longa disputa jurídica entre o mandatário republicano e a colunista de conselhos.

O ponto central do inquérito reside em declarações dadas por Carroll no ano de 2022. Na ocasião, a autora afirmou categoricamente que não estava recebendo auxílio financeiro externo para custear as pesadas despesas advocatícias de seus processos contra Trump. Contudo, essa versão foi posteriormente contradita por seus próprios representantes legais. Durante o desenrolar das ações, veio à tona que Reid Hoffman, bilionário e cofundador da rede social LinkedIn, além de conhecido doador de causas ligadas ao Partido Democrata, teria financiado parte expressiva dos honorários de defesa da escritora. Essa discrepância é o que sustenta a suspeita de falso testemunho levantada pelo atual governo, que agora utiliza o aparato estatal para apurar se houve dolo na omissão dessa informação.

Para compreender a dimensão deste novo embate, é preciso retornar aos antecedentes da disputa. Em 2023, um júri em Manhattan considerou Donald Trump culpado por abuso sexual e difamação contra Carroll. A escritora sustenta que o ataque ocorreu em 1996, dentro de um provador da luxuosa loja de departamentos Bergdorf Goodman, em Nova York. Embora o júri não tenha ratificado a acusação de estupro nos moldes criminais mais severos, reconheceu que o abuso existiu e que Trump mentiu publicamente sobre o ocorrido para desacreditar a vítima. Como resultado, o presidente foi condenado a pagar cerca de US$ 5 milhões em indenizações, valor que saltou para mais de US$ 83 milhões em um segundo processo por difamação concluído em 2024, motivado por ataques verbais proferidos por ele enquanto ocupava a Casa Branca em seu primeiro mandato.

A defesa de Donald Trump, por sua vez, sempre classificou as alegações de E. Jean Carroll como uma "farsa politicamente motivada". Os advogados do presidente argumentam que a ausência de provas físicas, DNA ou registros policiais da década de 1990 torna o caso insustentável. Segundo a equipe jurídica do republicano, o uso de recursos financeiros de um mega-doador opositor fortalece a narrativa de que o processo seria uma ferramenta de perseguição política. Recentemente, a defesa apresentou recursos à Suprema Corte para tentar anular as condenações civis, alegando que o juiz responsável pelo caso permitiu a introdução de provas irrelevantes e inflamadas que prejudicaram o direito de defesa do presidente.

A abertura desta investigação criminal contra Carroll insere-se em um contexto mais amplo de ações do Departamento de Justiça sob a gestão Trump, que tem sido criticado por opositores por supostamente visar adversários e figuras que o confrontaram judicialmente. Para o leitor brasileiro, o caso ressalta a complexidade do sistema jurídico dos EUA, onde ações civis podem gerar desdobramentos criminais drásticos se houver falhas no dever de veracidade perante o tribunal. O desfecho desta investigação poderá não apenas impactar a credibilidade de Carroll, mas também servir como munição política para que Trump tente reverter as pesadas indenizações que foi condenado a pagar, alterando o equilíbrio de uma das batalhas judiciais mais emblemáticas da política americana contemporânea.

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