Grupo Toky, controlador da Tok&Stok e Mobly, entra com pedido de recuperação judicial
Com dívida acumulada de R$ 1,1 bilhão, holding busca proteção judicial para manter operações e garantir pagamento de funcionários.

O Grupo Toky, responsável pela Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial alegando dívidas de R$ 1,1 bilhão e crise no setor de mobiliário.
O Grupo Toky, conglomerado formado pela união das redes Mobly e Tok&Stok, oficializou nesta terça-feira (12) o pedido de recuperação judicial perante a Justiça de São Paulo. A companhia reportou um passivo total de R$ 1,1 bilhão e busca proteção jurídica para reorganizar seu fluxo de caixa e evitar a falência. A petição ocorre em um momento de fragilidade do varejo de móveis e decoração, duramente atingido pelo encarecimento do crédito e pela perda do poder de compra das famílias nos últimos anos.
No documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa detalha que medidas urgentes são necessárias para garantir a continuidade das lojas e o pagamento de mais de 2 mil colaboradores. Entre as solicitações prioritárias está o desbloqueio de R$ 77 milhões em recebíveis estagnados em uma instituição financeira, valor considerado vital para a manutenção da operação. O grupo também pleiteia o período de 180 dias sem cobranças de dívidas, o chamado "stay period", para estruturar um plano de pagamento aos credores.
O agravamento financeiro é atribuído a uma convergência de fatores macroeconômicos iniciados durante a pandemia, que resultaram no fechamento de mais de 17 pontos de venda ao longo do tempo. Mesmo após tentativas prévias de saneamento, incluindo aportes de acionistas e renegociações tecnológicas, as dívidas continuaram a crescer de forma insustentável. O pedido judicial visa blindar os contratos de serviços essenciais, como logística e infraestrutura digital, assegurando que o atendimento ao consumidor não seja interrompido durante a reestruturação.
A holding foi estabelecida em 2024, unindo a tradição da Tok&Stok, no mercado desde a década de 70, com a expertise digital da Mobly. Com a fusão, o grupo se posicionou como um dos maiores do setor na América Latina, mas agora enfrenta o desafio de reajustar seu modelo de negócio para sobreviver à crise. O processo corre em segredo de justiça, enquanto a administração tenta viabilizar novas formas de captação e reequilíbrio financeiro para as marcas envolvidas.






