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Contradições marcam explicações de aliados de Bolsonaro sobre verbas para filme biográfico

Revelações sobre repasses de R$ 134 milhões para cinebiografia de Jair Bolsonaro geram recuos e novas justificativas de envolvidos.

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Redação 360 Notícia
18 de maio de 2026 às 01:002 min
Contradições marcam explicações de aliados de Bolsonaro sobre verbas para filme biográfico
Foto: Reprodução
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Filhos do ex-presidente e o produtor Mário Frias apresentam versões contraditórias sobre o aporte de R$ 61 milhões feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro para o filme 'Dark Horse'. Investigação aponta negociações diretas e possíveis inconsistências na gestão dos recursos.

Declarações divergentes e mudanças de versões marcam os posicionamentos dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro e do produtor Mário Frias sobre o financiamento do filme biográfico "Dark Horse". Informações obtidas pelo Intercept Brasil e confirmadas pela TV Globo revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master e recentemente detido por suspeita de fraude bilionária, teria destinado R$ 61 milhões para a produção. O valor total prometido chegaria a R$ 134 milhões, negociados diretamente por meio de contatos frequentes entre o senador Flávio Bolsonaro e o empresário.

Flávio Bolsonaro, que inicialmente negava qualquer proximidade com Vorcaro e vinculava o Banco Master a opositores políticos, admitiu ter mentido para proteger cláusulas de confidencialidade contratuais. O senador justificou o tratamento afetuoso dispensado ao banqueiro em áudios — como os termos "irmãozinho" e "irmãozão" — como uma gíria comum do Rio de Janeiro. Ele defende que a captação foi legítima por se tratar de um projeto da esfera privada, sem o uso de subsídios públicos ou leis de incentivo à cultura.

O deputado cassado Eduardo Bolsonaro também apresentou versões conflitantes sobre seu papel no projeto. Embora tenha afirmado inicialmente que apenas intermediou o contato com advogados financeiros, documentos mostram que ele assinou como produtor-executivo, tendo responsabilidade direta na busca por recursos. A Polícia Federal monitora o caso para verificar se os repasses milionários foram efetivamente aplicados na obra cinematográfica ou se serviram para custear despesas pessoais de Eduardo em sua estadia nos Estados Unidos.

Mário Frias, por sua vez, tentou inicialmente distanciar a produção de qualquer aporte financeiro vindo de Vorcaro, afirmando que não havia dinheiro do banqueiro no filme. Após a repercussão dos dados, o produtor ajustou seu discurso, alegando que o investimento foi feito por meio de empresas parceiras, como a Entre Investimentos, e que, formalmente, o nome do dono do Banco Master não aparece como investidor direto, o que justificaria sua negação anterior por uma questão de interpretação jurídica.

#Flávio Bolsonaro#Eduardo Bolsonaro#Daniel Vorcaro#Banco Master#Dark Horse

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