Polícia Civil detalha esquema de transferências fantasmas de veículos no Vale do Aço
Investigação em Ipatinga aponta que grupo realizava transferências sem vistorias físicas e movimentou cerca de R$ 400 mil.

Polícia Civil revela detalhes da Operação Registro Oculto, que identificou fraudes em mais de 200 transferências veiculares com movimentação de R$ 400 mil em Ipatinga e região.
A Polícia Civil de Minas Gerais detalhou, nesta terça-feira (20), as táticas utilizadas por um grupo criminoso para fraudar transferências de veículos no Vale do Aço. A investigação, batizada de Operação Registro Oculto, revelou que o esquema consistia na realização de mudanças de propriedade de forma inteiramente virtual, ignorando exigências legais como vistorias físicas e a apresentação de documentos obrigatórios. Segundo as autoridades, o grupo conseguia códigos de segurança oficiais para acessar sistemas de trânsito e operacionalizar as fraudes.
Ao todo, 16 pessoas foram indiciadas, incluindo quatro despachantes que já haviam sido detidos anteriormente. O delegado Augusto Frade informou que as irregularidades abrangem mais de 200 procedimentos cadastrais, com uma movimentação financeira estimada em R$ 400 mil. A organização atraía clientes prometendo simplificação e celeridade extrema nos processos burocráticos, resolvendo pendências que, em vias normais, exigiriam inspeções rigorosas em veículos que muitas vezes apresentavam problemas estruturais ou de numeração de chassi.
A apuração também mira a conduta de servidores públicos que teriam facilitado o acesso aos sistemas restritos. Embora a participação desses agentes esteja sob análise, o Núcleo Correcional da Polícia Civil optou por manter sigilo sobre os cargos envolvidos para não comprometer as diligências em curso. Em contrapartida, a Federação dos Despachantes Documentalistas de Minas Gerais manifestou apoio à ação policial, ressaltando que a categoria não possui poder de aprovação de atos oficiais e defendendo maior fiscalização tecnológica.






