Tesouros do Império: Pesquisa arqueológica resgata cidade soterrada em Nova Iguaçu
Escavações na Baixada Fluminense revelam vestígios da Vila de Iguassú e milhares de relíquias do Ciclo do Café.

Escavações em Nova Iguaçu revelam vestígios da antiga Vila de Iguassú, ponto estratégico do Ciclo do Café. Milhares de objetos do século 19 foram resgatados e agora compõem o acervo de um novo museu regional.
Uma importante expedição arqueológica em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, está trazendo à tona as fundações da antiga Vila de Iguassú, um centro logístico vital durante o Brasil Império. O local, que servia como ponto estratégico de escoamento da produção de café até o Rio de Janeiro, teve sua relevância reduzida após a chegada das ferrovias, o que levou ao deslocamento do núcleo urbano e ao soterramento gradual da vila original. Atualmente, os pesquisadores realizam escavações minuciosas que revelam uma cidade inteira preservada sob camadas de solo.
Até o momento, os trabalhos de campo já resultaram na coleta de cerca de 100 mil fragmentos e objetos históricos, incluindo cerâmicas finas, louças importadas e até artigos de luxo vindos da Europa. A pesquisa, que conta com a colaboração ativa da comunidade local, permitiu inclusive a identificação de itens raros, como um botão adornado com a insígnia imperial, confirmando a importância política do povoado no século 19. Os vestígios encontrados demonstram que a vila possuía um padrão de consumo sofisticado, similar ao das grandes metrópoles daquele período.
Para preservar e divulgar esse patrimônio, o município inaugurou recentemente um museu dedicado à exposição das peças recuperadas. O acervo reconstrói o cotidiano da região através de pratos, frascos de higiene pessoal e componentes arquitetônicos que contam a história da transição comercial do país. As escavações continuam ativas nas áreas de pastagem, onde os arqueólogos acreditam que ainda existam estruturas residenciais e portuárias prontas para oferecer novos detalhes sobre o passado fluminense.






