Soberania dos idosos: Acadêmico de Yale propõe reformas para enfrentar a 'gerontocracia'
Obra de Samuel Moyn sugere aposentadoria obrigatória e transferência de ativos para conter o domínio da população sênior e abrir espaço aos jovens.

O acadêmico Samuel Moyn, de Yale, propõe medidas polêmicas para combater a concentração de riqueza e poder político nas mãos de gerações mais velhas nos EUA.
Um novo debate sobre o domínio político e econômico das gerações mais velhas ganha força com o lançamento do livro "Gerontocracy in America", escrito por Samuel Moyn, professor da Universidade Yale. Na obra, o acadêmico argumenta que os Estados Unidos estão sob o comando de uma "tirania dos velhos", caracterizada pela concentração desproporcional de ativos financeiros e cargos de liderança nas mãos de indivíduos em idades avançadas, o que estaria bloqueando o progresso das novas lideranças.
Moyn aponta evidências estatísticas para sustentar sua tese, como o aumento da idade média de eleitores e proprietários de imóveis, além da presença prolongada de profissionais sêniores em postos estratégicos após o fim da aposentadoria compulsória em diversos setores. Segundo o autor, essa configuração social prioriza a manutenção do status quo e a preservação de bens em detrimento da inovação, dificultando a ascensão profissional e a segurança financeira dos cidadãos mais jovens.
Para enfrentar esse cenário, o professor sugere medidas drásticas e controversas, como a reintrodução de limites de idade para o trabalho e incentivos fiscais que forcem a venda de patrimônio imobiliário pelos idosos. Ele também propõe reformas que ampliem o peso político da juventude e mecanismos que facilitem a transferência antecipada de heranças. Embora as propostas visem equilibrar as oportunidades geracionais, especialistas alertam para o risco de essas ideias alimentarem o etarismo e a polarização social.
Apesar do tom combativo, Moyn esclarece que o acúmulo de poder não é fruto de uma conspiração, mas sim de uma evolução demográfica e de uma dificuldade cultural em lidar com o envelhecimento. O livro busca provocar uma reflexão sobre como garantir a segurança econômica da terceira idade sem que isso signifique o estrangulamento das perspectivas de futuro das gerações que estão entrando agora no mercado e na vida pública.






