Saúde

Desafios na emergência: Por que o pronto-atendimento comum pode falhar com idosos

Mudanças fisiológicas fazem com que 40% das emergências geriátricas apresentem sinais diferentes dos tradicionais, exigindo novos protocolos.

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Redação 360 Notícia
17 de maio de 2026 às 05:002 min
Desafios na emergência: Por que o pronto-atendimento comum pode falhar com idosos
Foto: Reprodução
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Especialista aponta que modelos tradicionais de urgência falham ao não reconhecer sintomas atípicos em pacientes idosos, como infartos sem dor no peito.

O sistema hospitalar tradicional enfrenta dificuldades para acolher adequadamente a população idosa, especialmente pacientes acima de 75 anos. Segundo o geriatra Pedro Kallas Curiati, da Faculdade de Medicina da USP e do Sírio-Libanês, as emergências convencionais são projetadas para atender sintomas clássicos de doenças, ignorando que o envelhecimento altera drasticamente a forma como as enfermidades se manifestam. Cerca de 40% das urgências geriátricas não apresentam os sinais óbvios; um exemplo recorrente é o infarto que ocorre sem a característica dor no peito, o que pode levar a erros de triagem e diagnósticos tardios.

A complexidade do paciente sênior decorre de uma redução na reserva fisiológica do organismo, afetando múltiplos sistemas. O controle térmico instável pode camuflar infecções por falta de febre, enquanto a perda de função renal e hepática altera o processamento de remédios. Além disso, o uso simultâneo de diversos medicamentos e o declínio cognitivo prévio criam uma rede de interações que mascara sintomas reais. Nessas condições, a percepção de dor é frequentemente atenuada, tornando o diagnóstico clínico um desafio que exige uma visão especializada sobre a biologia do envelhecimento.

Para lidar com esse cenário, novas abordagens focam na perda de funcionalidade como o principal termômetro de saúde. No modelo de Pronto Atendimento Geriátrico Especializado (ProAGE), a investigação médica prioriza mudanças súbitas na capacidade de realizar tarefas cotidianas. O ambiente também é adaptado para reduzir o estresse do paciente, utilizando iluminação ajustável, controle de ruídos e ferramentas de auxílio auditivo. O objetivo é transformar a emergência em um espaço que considere a fragilidade física e mental, garantindo que o cuidado seja tão específico quanto a biologia dessa faixa etária.

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