Retomada da Avibrás e investimento de Joesley Batista sinalizam ascensão do setor bélico no Brasil
Com aporte de R$ 300 milhões e retorno da Avibrás, Brasil registra crescimento militar acima da média global e recorde em exportações.

Com investimentos liderados por Joesley Batista, a Avibrás retoma atividades em meio a um crescimento de 13% nos gastos militares brasileiros. O país registra recorde de exportações bélicas impulsionado pela demanda da Otan e novos contratos da Embraer.
O setor de defesa no Brasil atravessa um período de forte expansão, impulsionado por um cenário de instabilidade global e recordes em exportações. No epicentro desse movimento, a Avibrás, tradicional fabricante de sistemas aeroespaciais sediada em São José dos Campos (SP), retomou suas operações após dois anos sob recuperação judicial. A revitalização da companhia, agora sob a marca Avibrás Aeroco, foi viabilizada por um investimento de R$ 300 milhões liderado por Joesley Batista, do grupo JBS, e outros aportes que garantiram o retorno de centenas de funcionários ao trabalho.
O crescimento da indústria bélica brasileira supera o ritmo internacional. Enquanto os gastos militares globais subiram cerca de 3% no último ano, os investimentos internos no Brasil saltaram 13%, atingindo aproximadamente US$ 23,9 bilhões. Esse avanço reflete tanto a modernização tecnológica naval quanto o sucesso comercial de equipamentos pesados no exterior. Um exemplo recente é o contrato recorde da Embraer com os Emirados Árabes para o fornecimento do cargueiro C-390 Millennium, consolidando o país como um fornecedor estratégico de alta tecnologia.
Especialistas atribuem o sucesso brasileiro à neutralidade diplomática do país, que permite negociações sem as resistências ideológicas que afetam grandes potências. Atualmente, a Base Industrial de Defesa (BID) envia produtos para 140 países e responde por cerca de 3,5% do PIB nacional. Entre os maiores compradores de tecnologia militar brasileira estão nações europeias como Alemanha e Bulgária, que buscam reequipamento diante da escalada de conflitos regionais e da necessidade de atender aos padrões da Otan.
Apesar do otimismo econômico, a expansão do setor traz dilemas éticos e riscos de segurança. Analistas alertam para o destino final das exportações, que muitas vezes alcançam países sob regimes autoritários ou zonas de conflito civil, como em casos recentes na África Ocidental. Há também a preocupação com o "efeito bumerangue", onde armamentos vendidos legalmente a vizinhos sul-americanos acabam sendo desviados para o crime organizado transfronteiriço, retornando ao Brasil como ferramenta para atividades ilícitas.






