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PP cancela ato de formalização de apoio a Tarcísio de Freitas em São Paulo

Decisão ocorre após o senador se tornar alvo de operação da PF por suspeita de recebimento de propinas de dono de banco.

Redação 360 Notícia
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8 de maio de 2026 às 12:003 min
PP cancela ato de formalização de apoio a Tarcísio de Freitas em São Paulo
Foto: Reprodução
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O Progressistas adiou o apoio oficial à reeleição de Tarcísio de Freitas após o presidente do partido, Ciro Nogueira, tornar-se alvo da PF. O senador é suspeito de receber propinas e benefícios de luxo do Banco Master em troca de influência legislativa. A aliança em SP segue mantida.

O cenário político de São Paulo sofreu um revés estratégico nesta semana com o cancelamento da cerimônia de formalização do apoio do Progressistas (PP) à candidatura de reeleição do governador Tarcísio de Freitas. O evento, que estava agendado para a próxima segunda-feira e era visto como um marco na consolidação da base aliada do atual chefe do Executivo paulista, foi retirado da pauta após o presidente nacional da legenda, o senador Ciro Nogueira (PI), tornar-se o epicentro de uma nova investigação da Polícia Federal. A decisão de adiar o ato solene reflete o clima de cautela adotado pela cúpula partidária e pelo Palácio dos Bandeirantes diante do avanço das autoridades federais.

A desestabilização do cronograma é consequência direta da deflagração da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal aponta Ciro Nogueira como o principal beneficiário de um suposto esquema de propinas e vantagens indevidas que envolveria o proprietário do Banco Master, o empresário Daniel Vorcaro. As investigações indicam que o parlamentar teria recebido repasses mensais de altos valores, além de usufruir de mimos de luxo financiados pelo empresário, como hospedagens de alto padrão e o uso frequente de jatinhos particulares. Em troca desse suporte financeiro, o senador teria atuado diretamente no Poder Legislativo para favorecer os interesses da instituição financeira, especialmente por meio da apresentação e articulação de emendas e projetos no Senado Federal.

Embora o Palácio dos Bandeirantes mantenha uma postura oficial de distanciamento, negando contatos diretos para tratar do cancelamento, interlocutores próximos ao governo e à cúpula do PP confirmam que a mudança de planos foi fruto de um diálogo cauteloso entre Nogueira e o governador Tarcísio de Freitas. O objetivo foi preservar a imagem da campanha paulista de uma associação direta com os fatos narrados pela Polícia Federal no momento em que as manchetes estão concentradas nos detalhes das supostas transações ilícitas e repasses em espécie. O impacto reputacional é avaliado com lupa pelos estrategistas políticos, que tentam evitar o "contágio" da imagem de Tarcísio por suspeitas de corrupção que envolvem seus aliados de primeira hora.

Apesar do inegável constrangimento gerado pela investigação e pelo adiamento do evento público, os membros do Progressistas asseguram que os alicerces da aliança política em São Paulo permanecem intactos. A sigla reafirma que o suporte ao projeto de reeleição do governador não foi retirado, tratando o episódio apenas como uma "alteração burocrática e cronológica" motivada pelo contexto atual. Para o PP, a manutenção do apoio é estratégica para a sobrevivência e expansão da legenda no principal colégio eleitoral do país, independentemente do desgaste sofrido por seu presidente nacional nos tribunais e na opinião pública nacional.

Em sua defesa, o senador Ciro Nogueira tem negado veementemente qualquer prática de irregularidade. Seus advogados contestam os termos da investigação da Polícia Federal, afirmando que a atuação parlamentar do senador sempre ocorreu dentro dos limites éticos e legais do mandato. Enquanto a defesa tenta desqualificar os indícios apresentados pela Operação Compliance Zero, o cenário eleitoral paulista permanece em compasso de espera. Nos próximos passos, espera-se que o partido aguarde uma redução da temperatura política para remarcar o ato, enquanto Tarcísio de Freitas deve intensificar agendas administrativas para retomar a narrativa de entregas de governo, minimizando as crises externas que orbitam sua ampla coligação.

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