Política

Por que o brasileiro continua no vermelho com emprego e renda em alta?

Novo Desenrola Brasil surge em cenário de juros altos e perda de poder de compra, afetando mais de 80% das famílias.

Por
Redação Automática
8 de maio de 2026 às 09:002 min
Por que o brasileiro continua no vermelho com emprego e renda em alta?
Foto: Reprodução
Compartilhar

Apesar da taxa de desemprego em queda e da renda média crescente, o endividamento das famílias brasileiras bateu recorde em 2025. O governo lança nova fase do Programa Desenrola para tentar renegociar R$ 58 bilhões em dívidas.

O cenário econômico atual do Brasil apresenta um paradoxo: embora os índices de ocupação estejam em níveis historicamente favoráveis e a renda média tenha apresentado crescimento, o endividamento das famílias atingiu a marca recorde de 80,9% em abril. Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontam que a inadimplência também segue em patamares críticos, afetando quase 30% da população brasileira, o que limita o alívio proporcionado pelo aquecimento do mercado de trabalho.

Para tentar conter essa escalada, o governo federal anunciou a segunda etapa do programa Desenrola Brasil, com o objetivo de facilitar a renegociação de R$ 58 bilhões em débitos. A medida busca alcançar cerca de 20 milhões de brasileiros que encontram dificuldades para honrar compromissos financeiros. No entanto, o sucesso dessas iniciativas enfrenta o desafio da política monetária restritiva, uma vez que a taxa Selic foi elevada para 15% ao ano para conter a inflação, encarecendo o acesso ao crédito.

Especialistas explicam que o fenômeno é impulsionado pelo alto custo de vida, especialmente no setor de alimentos, que compromete a maior parte do orçamento doméstico. Itens básicos como carnes e grãos registraram altas superiores à inflação média, reduzindo o poder de compra imediato. Esse cenário é agravado pelo uso intenso do cartão de crédito para despesas cotidianas, onde o parcelamento excessivo mascara o custo total dos juros e cria uma falsa sensação de capacidade de pagamento.

Além dos fatores macroeconômicos, a ausência de uma cultura de educação financeira robusta no país contribui para a permanência no vermelho. De acordo com economistas, muitas famílias prioritizam o consumo imediato sem analisar o impacto acumulado das prestações. A tendência é reforçada pela "normalização" do endividamento nas redes sociais, o que pode levar a decisões impulsivas e à dependência cíclica de novos empréstimos para cobrir dívidas anteriores.

#economia#endividamento#desemprego#desenrola brasil#inflação

Leia também