Entre Palavras

O peso do “Ninguém veio”

Fica o sentimento incompleto de quem passa pela vida e sente a vida passar por si, sempre repetindo: ninguém veio.

Antonio Marcos de Souza
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Antonio Marcos de Souza
8 de junho de 2026 às 03:152 min
O peso do “Ninguém veio”
Foto: Reprodução
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O peso dessas duas palavras é imenso. “Ninguém veio.” É difícil definir o sentimento que elas carregam. Para alguns, pode ser desapontamento. Para outros, tristeza, humilhação ou simplesmente um vazio que ecoa por dentro.

Assisti a um vídeo nas redes sociais: a formatura de um jovem nas forças armadas. Todos os colegas estavam cercados por seus familiares. Quando perguntaram a ele sobre os pais, a resposta foi desoladora: “ninguém veio”. Foi de cortar o coração.

Não importa a conquista, não importa o feito. O ser humano precisa sentir que alguém se importa, que alguém está lá por ele, que existe quem o acompanhe mesmo nas ausências inevitáveis da vida.

Imagine convidar seus “amigos” para celebrar um momento de alegria e perceber que ninguém apareceu. No mínimo, você descobriria que aqueles que chamava de amigos não eram de fato. Mas há também o outro lado: estar cercado de pessoas e, ainda assim, sentir o “ninguém veio”. Porque os que mais importam para você não estão ali. Você os convidou, esperou por eles, mas eles não foram.

Eu mesmo já fiz isso muitas vezes. Não por falta de vontade, mas por não ter forças sequer para sair da cama. Poucos sabiam da minha condição, e esses poucos ainda entendem até hoje. Mas não é sobre mim que escrevo. É sobre essa experiência universal: estar rodeado de gente e, mesmo assim, sentir-se só. Porque quem completa sua vida não está presente.

Você pode realizar grandes feitos ou pequenos gestos de enorme significado pessoal, mas se as pessoas que mais importam não estão lá, o vazio se instala. Seja numa formatura, num encontro de amigos ou numa reunião para relembrar bons momentos, o “ninguém veio” pode estar presente, mesmo quando há muitos ao redor.

Quantos de nós seguimos sozinhos, forçados pelo tempo ou pelo imprevisto? Quantos cresceram sem os pilares da família, sem pai ou mãe? Quantos tiveram esses pilares, mas como se não existissem, por não cumprirem o papel de pais? É doloroso pensar nisso. Quantos atravessam a vida sem sequer conhecer seus pais?

Eu fui um deles. Uma parte da minha descendência é desconhecida. Talvez nunca conheça meus tios, primos ou irmãos paternos. Aos 47 anos, carrego essa ausência, e para mim também ecoa o “ninguém veio”.

Fica o sentimento incompleto de quem passa pela vida e sente a vida passar por si, sempre repetindo: ninguém veio.

Antonio Marcos de Souza

#ninguém veio#amigos#desapontamento#sentimento

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