“UM ABRAÇO — a envergadura sublime do amor leal, que acolhe, protege e traduz a essência da alma.”
É desse tipo de amor que falo: aquele que, quando negado, já significa a morte em vida. O abraço verdadeiro é a prova de que ainda existe luz, mesmo quando tudo ao redor parece sombra.


Cunhada Rosineide Gomes, Emilly e eu em um momento fraterno demonstrado num abraço genuinamente amoroso.
Hoje, ao som da música I Look to You de Whitney Houston, fui tomado por uma reflexão intensa. Essa canção, lançada em 2009 e escrita por R. Kelly, é uma das interpretações mais emocionantes da carreira de Whitney. Mais do que um simples retorno aos palcos, ela simboliza a força de alguém que, após enfrentar batalhas pessoais, encontra serenidade e esperança. É uma música que transmite confiança e acolhimento, especialmente para quem atravessa perdas, crises ou momentos de incerteza. Em termos de impacto emocional, pode ser considerada uma das performances mais sinceras e espiritualmente marcantes de Whitney Houston, um verdadeiro hino de resiliência. Talvez, se tivesse encontrado acolhimento em vez de julgamentos, perseguições e dedos apontados, a vida dela pudesse ter seguido um rumo diferente. Ser realmente vista com empatia em meio a tanto sofrimento e solidão.
Enquanto ouvia, veio à minha mente uma fotografia de família que traduz exatamente essa essência: o ato de ver e perceber o outro. Na imagem, minha cunhada e minha sobrinha se abraçam de forma despretensiosa, honesta e generosa. É um gesto livre de preconceito, de malícia ou de qualquer sombra de maldade. Esse abraço é a expressão palpável do amor sincero, da franqueza e da coerência que só o afeto verdadeiro pode revelar. É uma das muitas formas de identificar Deus, porque o amor é a manifestação mais majestosa e real da Sua presença. No abraço, nos permitimos ser importantes sem nos preocupar com convenções sociais que tantas vezes aprisionam e diminuem. É nesse gesto simples que se revela a maturidade emocional que muitos jamais alcançam, porque quem carrega um coração endurecido dificilmente compreende a beleza daquilo que é puro.
Há pessoas que enxergam maldade em tudo: em uma conversa leve, em uma risada espontânea, em um sorriso ou até mesmo em um abraço. São mentes desconfiadas, incapazes de apreciar a delicadeza de um toque ou o perfume de uma flor. Simplificando, esse tipo de pessoa é tão desconfiada quanto um ladrão, e qualquer sombra que vê em cada esquina acha que é um policial. Para elas, a beleza natural é algo a ser destruído, porque não conseguem suportar o que não compreendem.
Eu já me libertei desse tipo de olhar distorcido, que sufoca a alegria e transforma gestos simples em motivo de suspeita. E isso me choca, porque vivemos em um mundo cinzento, onde expressões de afeto escandalizam mais do que guerras, onde a alegria alheia incomoda mais do que crimes horrendos e é normalizado. É assustador perceber que muitos se acostumaram a rir da desgraça, mas se incomodam com a felicidade genuína. Nunca, em momento algum, vou permitir que outros me magoem por demonstrações de afeto ou que deturpem essas expressões por causa de um coração limoso e escorregadio; em hipótese alguma permitirei.
Por isso, essa fotografia tem para mim um simbolismo imenso. É o abraço de mãe que não tive, o abraço de irmã, de sobrinha, de filho. É o abraço que dissipa a névoa da maldade, que desfaz a desconfiança e ilumina a escuridão como um farol na noite. Esse gesto simples carrega a força de um amor que não precisa de explicações, porque se revela na pureza do coração. É desse tipo de amor que falo: aquele que, quando negado, já significa a morte em vida. O abraço verdadeiro é a prova de que ainda existe luz, mesmo quando tudo ao redor parece sombra.
Antonio Marcos de Souza
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Sobre este conteúdo
Autor: Antonio Marcos de Souza
Publicado: 21 de julho de 2026 às 16:47
Atualizado: 31 de agosto de 2026 às 17:05
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