Negociações entre rodoviários e empresas de ônibus do Rio seguem travadas e estado de greve é mantido
Justiça do Trabalho estabelece prazo de 10 dias para propostas finais após quinta audiência de conciliação terminar em impasse.

A quinta audiência de conciliação entre o Rio Ônibus e o sindicato dos rodoviários no TRT-RJ terminou sem acordo. O estado de greve continua e novos prazos foram estabelecidos.
A quinta tentativa de conciliação entre o sindicato que representa as empresas de ônibus do Rio de Janeiro (Rio Ônibus) e o sindicato dos rodoviários terminou, mais uma vez, sem um desfecho positivo nesta quarta-feira (22). A reunião ocorreu na sede do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ), localizada no Centro da capital fluminense, sob a mediação da justiça trabalhista. Diante do impasse na negociação salarial e de benefícios, os representantes do setor confirmaram que o estado de greve permanece em vigor, o que mantém a população em alerta sobre possíveis paralisações no sistema de transporte público municipal nos próximos dias.
O cenário de falta de consenso se arrasta após diversas rodadas de conversa que não avançaram nos pontos fundamentais reivindicados pelos motoristas e cobradores. A principal divergência reside nos percentuais de reajuste salarial e na renovação de benefícios trabalhistas. Enquanto as empresas alegam dificuldades financeiras e um desequilíbrio no contrato de concessão, os trabalhadores afirmam que as propostas apresentadas até o momento não suprem a perda do poder de compra sofrida nos últimos anos. Com o encerramento da audiência sem assinatura de acordo, a categoria convocou uma nova assembleia geral extraordinária para esta quinta-feira (23), programada para as 16h, onde os próximos passos do movimento serão discutidos e votados.
Durante a sessão, o desembargador Gustavo Tadeu Alckmin, atual presidente do TRT da 1ª Região e mediador do conflito, estabeleceu diretrizes rígidas para o andamento do processo judicial. O tribunal definiu um prazo de 10 dias úteis para que ambas as partes apresentem formalmente suas propostas finais e justificativas. Este período é crucial para que a Justiça do Trabalho possa analisar tecnicamente os argumentos e, caso não haja uma composição amigável nesse intervalo, proferir uma decisão normativa — o que significa que o tribunal poderá determinar judicialmente o reajuste e as condições de trabalho, encerrando o conflito por via de sentença.
O desembargador Alckmin ressaltou que a porta para o diálogo permanece aberta, mas destacou a necessidade de celeridade. Segundo o magistrado, o sindicato dos rodoviários levará a oferta atual das empresas para a votação dos trabalhadores na assembleia desta quinta-feira. Se a base da categoria optar por aceitar os termos apresentados ou decidir por uma contraproposta que reabra as conversas de forma produtiva, o Tribunal está disposto a realizar novas audiências imediatas para homologar o acordo. Contudo, se a categoria optar pela greve imediata ou rejeitar integralmente as condições sem margem para flexibilização, o julgamento do dissídio coletivo será inevitável.
As implicações desse impasse são severas para a rotina da cidade do Rio de Janeiro. A manutenção do estado de greve gera insegurança em milhares de passageiros que dependem diariamente dos ônibus para o deslocamento ao trabalho e compromissos essenciais. Além disso, as empresas de transporte alertam para o risco de prejuízos operacionais e o agravamento da crise no setor caso ocorra uma paralisação total. A expectativa agora gira em torno da assembleia de amanhã, que definirá se os rodoviários cruzarão os braços imediatamente ou se aguardarão o prazo de 10 dias estabelecido pelo TRT para uma solução jurídica definitiva sobre as reivindicações da classe.

