Morte em lipoaspiração: Família de jovem morta em BH cobra respostas após tragédia em clínica
Morte de jovem de 27 anos durante procedimento de lipoaspiração com enxertia gera revolta em BH e acende alerta sobre unidade de saúde com histórico de tragédias.

A família de Bárbara Laura Souza Félix, jovem de 27 anos que faleceu durante uma lipoaspiração em Belo Horizonte, exige respostas e fiscalização rigorosa no Hospital IMO. Com histórico de outro óbito em 2021, o caso levanta alertas sobre segurança em cirurgias estéticas e embolia gordurosa.
A cidade de Belo Horizonte acompanha comovida os desdobramentos de uma tragédia que interrompeu precocemente a trajetória de Bárbara Laura Souza Félix, de apenas 27 anos. A jovem faleceu na última terça-feira (26) enquanto se submetia a uma cirurgia plástica de lipoaspiração com enxertia nos glúteos. O procedimento, realizado no Hospital IMO, localizado no bairro Lourdes, uma área nobre da capital mineira, deveria ser a realização de um desejo pessoal de estética, mas culminou em uma parada cardiorrespiratória irreversível, deixando familiares e amigos em estado de choque e profunda indignação.
O caso ganha contornos de urgência por conta do perfil da vítima e do histórico da instituição de saúde envolvida. De acordo com relatos da avó de Bárbara, Consuelo Martins dos Santos, a neta era uma pessoa extremamente saudável, praticante regular de atividades físicas e sem qualquer histórico de comorbidades que pudessem sinalizar um risco elevado. Horas antes do procedimento, as duas conversaram e a jovem se mostrava tranquila e confiante. A perplexidade da família reside no fato de que todos os exames pré-operatórios obrigatórios haviam sido realizados e não apresentaram nenhuma alteração que contraindicasse a intervenção cirúrgica.
De acordo com o registro da ocorrência feito pela Polícia Militar, a cirurgia teve início nas primeiras horas da manhã. Durante a operação, o médico responsável relatou uma mudança súbita nos níveis de capnografia da paciente — um monitoramento vital que mede a eliminação de dióxido de carbono e a eficácia da ventilação pulmonar. Logo em seguida, Bárbara sofreu uma parada cardíaca. A equipe médica informou que as manobras de reanimação duraram mais de setenta minutos, porém sem sucesso. A suspeita inicial levantada pela equipe técnica é de que tenha ocorrido uma embolia gordurosa, uma complicação grave e temida em lipoesculturas, que ocorre quando partículas de gordura entram na corrente sanguínea e obstruem vasos nos pulmões ou no cérebro.
A reiteração de óbitos em circunstâncias similares no Hospital IMO acendeu um alerta para os órgãos de fiscalização e para a sociedade mineira. Em 2021, uma servidora pública de 39 anos também perdeu a vida após realizar procedimentos estéticos na mesma unidade, vítima de embolia pulmonar. Diante desse histórico, os familiares de Bárbara, liderados pelo primo Thiago Silva, cobram uma auditoria rigorosa do Ministério Público e das autoridades sanitárias. Eles questionam a segurança dos protocolos adotados e se a estrutura da clínica, que se autodenomina hospital, possui todos os recursos necessários para o manejo de crises agudas durante cirurgias plásticas de alta complexidade.
O enterro de Bárbara, ocorrido na tarde desta quarta-feira (27) no Cemitério da Paz, foi marcado por pedidos de justiça e esclarecimentos. A Polícia Civil de Minas Gerais já deu início aos inquéritos, realizando perícia no hospital e aguardando o laudo detalhado do Instituto Médico Legal (IML) André Roquette. Para especialistas em Direito Médico, este caso reforça a importância de pacientes checarem rigorosamente o histórico das clínicas e a qualificação dos profissionais antes de procedimentos invasivos. O desdobramento das investigações deverá determinar se houve imperícia, negligência ou se a fatalidade estava dentro dos riscos imprevisíveis inerentes à medicina, mas a família garante que não descansará até que todas as perguntas sobre o que aconteceu no centro cirúrgico sejam respondidas.






