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Câmara de Curitiba inicia processo de cassação contra vereador suspeito de 'rachadinha'

Parlamentar do PP é alvo de investigação do Gaeco e teve vídeo contando dinheiro exibido no plenário; processo pode levar à perda do mandato por quebra de decoro.

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Redação 360 Notícia
27 de maio de 2026 às 23:003 min
Câmara de Curitiba inicia processo de cassação contra vereador suspeito de 'rachadinha'
Foto: Reprodução
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Câmara Municipal de Curitiba admite processo de cassação contra o vereador Lórens Nogueira após flagrante de 'rachadinha' pelo Gaeco. Vídeos mostram o parlamentar recebendo dinheiro de servidora, enquanto operação apreendeu mais de R$ 100 mil em espécie. Caso agita a política paranaense.

O cenário político na capital paranaense enfrenta dias de extrema tensão com o avanço de uma investigação que abala as estruturas do Poder Legislativo municipal. Na última quarta-feira (27), a Câmara Municipal de Curitiba (CMC) deu continuidade formal aos trâmites que podem culminar na cassação do mandato do vereador Lórens Nogueira (PP). A decisão do plenário em acatar a representação por quebra de decoro parlamentar ocorre após a divulgação de provas contundentes que sugerem o envolvimento do político em um esquema de desvio de salários de seus próprios assessores, prática popularmente conhecida como "rachadinha". A abertura do processo foi motivada por um documento assinado por parlamentares do partido Novo, que exigem rigor na apuração das denúncias e o compartilhamento de evidências coletadas pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR).

O caso ganhou contornos dramáticos com a revelação de um vídeo, gravado com autorização judicial no âmbito de uma "ação controlada", no qual o vereador é flagrado recebendo R$ 5,6 mil em espécie das mãos de uma funcionária de seu gabinete. As imagens são consideradas uma peça-chave pela acusação, pois mostram o momento exato da contagem das cédulas, reforçando a tese de que o parlamentar exercia pressão sobre seus subordinados para obter vantagens financeiras ilícitas. Em paralelo à repercussão política, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou uma operação que resultou na apreensão de mais de R$ 100 mil em dinheiro vivo na residência de Nogueira e no endereço de uma assessora ligada ao gabinete. A magnitude dos valores encontrados levanta suspeitas de que o esquema poderia ser sistemático e abrangente, envolvendo diversos servidores nomeados pelo parlamentar.

Em depoimentos colhidos pelos investigadores, o teor dos relatos é de vulnerabilidade e coação. Uma das servidoras envolvidas revelou ter passado por dificuldades extremas para cumprir as exigências financeiras impostas, chegando a solicitar empréstimos bancários e auxílio de familiares para completar as quantias demandadas pelo vereador. Segundo o Ministério Público, há indícios de que o esquema funcionava desde o início da atual legislatura e que, em determinados casos, os assessores eram obrigados a devolver mais da metade de seus vencimentos líquidos. Além da questão financeira, os relatos apontam para uma rotina de trabalho exaustiva, com jornadas que se estendiam por feriados e finais de semana em atividades de um instituto privado presidido pelo parlamentar, muitas vezes sem ajuda de custo para transporte ou alimentação.

A reação dentro da Câmara Municipal de Curitiba foi imediata. Lórens Nogueira, que curiosamente ocupava a presidência do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar até o estouro do escândalo, solicitou o seu desligamento do órgão para, segundo sua defesa, não interferir na isonomia do processo. Durante a sessão em que as imagens do flagrante foram exibidas no telão do plenário, o vereador optou pelo silêncio, evitando confrontar as acusações diante de seus pares e da imprensa. O Partido Progressista (PP), legenda pela qual foi eleito com 4.727 votos em sua primeira disputa municipal em 2024, declarou que não se manifestaria sobre o ocorrido neste estágio inicial. A defesa técnica do político, por sua vez, sustenta que aguarda o acesso integral aos autos para apresentar os esclarecimentos necessários, defendendo o princípio da presunção de inocência e o direito ao devido processo legal.

Para o eleitor curitibano e a sociedade brasileira em geral, este caso reforça o debate sobre a ética no serviço público e a fragilidade dos mecanismos de controle interno nos gabinetes legislativos. A prática da "rachadinha" é um crime que fere não apenas o patrimônio público, mas a dignidade do trabalhador e a legitimidade da representação democrática. Os próximos passos do processo na CMC incluem a formação de uma Comissão Processante que terá prazos definidos para ouvir testemunhas, analisar perícias nos equipamentos eletrônicos apreendidos e emitir um parecer final. Caso a cassação seja aprovada em plenário por maioria qualificada, Lórens Nogueira perderá o mandato e poderá ficar inelegível por oito anos, de acordo com a Lei da Ficha Limpa. O desdobramento jurídico no âmbito criminal também seguirá em paralelo às ações do Gaeco, podendo gerar condenações que vão além da esfera política.

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