PF e CGU avançam em cerco contra esquema bilionário de descontos ilegais no INSS
PF apreende R$ 287 mil em sacolas e carros de luxo em operação contra fraudes bilionárias que vitimaram aposentados.

Nova fase da operação da Polícia Federal e CGU apreende veículos de luxo e dinheiro em espécie durante investigação de desvios que podem chegar a R$ 6 bilhões. O esquema envolvia descontos ilegais em folhas de pagamento de aposentados do INSS por meio de associações e empresas de fachada.
A Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta quarta-feira (27) mais um desdobramento de uma das maiores investigações sobre corrupção previdenciária da história recente do Brasil. A operação foca na desarticulação de um esquema bilionário de descontos ilegais nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Durante as buscas, os agentes localizaram R$ 287 mil em espécie ocultos em sacolas plásticas na residência de um servidor federal, além de apreenderem dez veículos de luxo e 22 aparelhos celulares, evidenciando o alto padrão de vida mantido pelos suspeitos com verbas supostamente desviadas.
O cenário das investigações remonta a um período de cinco anos, entre 2019 e 2024, quando uma rede criminosa teria operado para subtrair valores diretamente de benefícios previdenciários sem o consentimento dos titulares. Segundo estimativas oficiais, os desvios totais podem superar a cifra astronômica de R$ 6 bilhões. A ação atual, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorreu de forma simultânea no Distrito Federal, São Paulo, Paraíba e Pernambuco. O foco recai sobre a atuação de associações que, sob o pretexto de oferecer serviços ou representar categorias, realizavam descontos indevidos que drenavam recursos de brasileiros vulneráveis.
Um dos núcleos centrais da investigação está localizado em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco, onde o envolvimento de servidores e ex-servidores do INSS é peça-chave para o funcionamento da engrenagem. Rogério Soares de Souza, ex-diretor e ex-superintendente da autarquia, é um dos principais investigados, acusado de ligações com a Abapen, entidade que teria arrecadado mais de R$ 70 milhões apenas em 2024 via descontos ilícitos. Deste montante, cerca de R$ 24 milhões teriam sido repassados a empresas de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", apontado pela PF como um operador central do esquema e que já se encontrava detido desde setembro de 2025.
A ofensiva desta quarta-feira também colocou sob a lupa os chamados "golden boys", apelido dado a empresários e dirigentes de associações que ostentavam fortunas provenientes das fraudes. De acordo com o inquérito, esses indivíduos estariam realizando a venda acelerada de imóveis de luxo por valores abaixo do mercado, uma tática clássica de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio para evitar bloqueios judiciais. A Polícia Federal suspeita que apenas este grupo específico tenha movimentado irregularmente mais de R$ 700 milhões, utilizando-se da fragilidade do sistema de controle de convênios das associações com a previdência pública.
O impacto dessa investigação para o cidadão brasileiro é profundo, pois revela brechas na segurança de dados do INSS e na fiscalização de consignações. Para o leitor, o caso serve como alerta sobre a importância de conferir mensalmente o extrato de pagamento do benefício, uma vez que o esquema se aproveitava de pequenos descontos individuais que, somados em milhões de folhas de pagamento, geravam o lucro bilionário da quadrilha. Os próximos passos da operação buscam identificar todos os beneficiários finais dessas transferências e garantir o ressarcimento aos cofres públicos e aos aposentados lesados. A defesa de Rogério Soares de Souza afirmou que aguarda acesso integral aos autos para se manifestar, enquanto as demais entidades e investigados ainda não apresentaram posicionamento oficial.





