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Mercado Campineiro faz 70 anos com histórias de famílias e resistência do 'comércio à moda antiga'

Conhecido como 'Mercadinho', o espaço na Rua Barão de Jaguara completa sete décadas preservando o atendimento personalizado e a sucessão familiar.

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Redação 360 Notícia
22 de maio de 2026 às 00:003 min
Mercado Campineiro faz 70 anos com histórias de famílias e resistência do 'comércio à moda antiga'
Foto: Reprodução
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O tradicional Mercado Campineiro, no centro de Campinas (SP), celebra 70 anos de história marcados pela resistência do comércio familiar e pelo atendimento personalizado. Conhecido como 'Mercadinho', o local sobrevive ao tempo mantendo o foco na qualidade e na tradição de gerações de comerciantes.

O centro histórico de Campinas, no interior de São Paulo, celebra nesta semana o septuagésimo aniversário de uma de suas instituições comerciais mais emblemáticas: o Mercado Campineiro. Conhecido carinhosamente pela população local como "Mercadinho", o espaço localizado na Rua Barão de Jaguara completa sete décadas de atividade ininterrupta, consolidando-se como um bastião da resistência do varejo tradicional frente ao avanço das grandes redes de hipermercados e do comércio eletrônico. Diferente de outros centros comerciais geridos pelo poder público, o Mercado Campineiro possui uma trajetória singular de independência, tendo sido erguido em uma área que pertencia à Santa Casa de Misericórdia, o que lhe confere uma autonomia administrativa que reflete no espírito empreendedor de seus ocupantes.

A longevidade do empreendimento é explicada, fundamentalmente, pela força das relações familiares que sustentam cada box e balcão. Ao longo dos últimos 70 anos, o mercado funcionou como um ponto de conexão entre gerações, onde o conhecimento sobre produtos e o atendimento personalizado foram transmitidos de pais para filhos. Essa característica de "comércio à moda antiga" não é apenas um traço nostálgico, mas uma estratégia de sobrevivência econômica que prioriza a fidelização do cliente através da confiança. Em um cenário globalizado, onde as relações de consumo tornaram-se cada vez mais impessoais, o Mercadinho oferece uma experiência de compra baseada no diálogo, na curadoria minuciosa dos itens e no conhecimento profundo da procedência de cada mercadoria oferecida ao público.

Entre as figuras que personificam essa resistência está Cláudio Atíllio, veterano do local que mantém viva a prática da venda a granel, um sistema que antecede a era das embalagens plásticas descartáveis. Para ele, o segredo da permanência do negócio reside na herança intelectual deixada pelo pai, que enfatizava a diferenciação pela qualidade superior dos alimentos. Outro exemplo marcante de perseverança feminina e empreendedorismo familiar é o de Guiomar Aparecida Ferrari. Com mais de 42 anos dedicados ao mercado, Guiomar enfrentou os desafios da viuvez precoce e da jornada exaustiva de trabalho para sustentar e educar sua família por meio de seu boxe. Sua história é compartilhada por muitos outros comerciantes que veem no Mercado Campineiro não apenas um local de trabalho, mas a extensão de seus lares e a base de seu patrimônio social.

A renovação do Mercado Campineiro também passa pela sucessão gerencial, evidenciada por jovens profissionais que, mesmo com formação superior em áreas distintas, optam por retornar às raízes. É o caso de Gabriela, filha de Guiomar, que aplicou seus estudos para modernizar o negócio da família, transformando uma antiga sorveteria em um restaurante adaptado às demandas contemporâneas de alimentação rápida e almoços executivos. Esse movimento de atualização, segundo a presidente da associação dos comerciantes, Sílvia Galvão, é o que garante o fôlego necessário para o futuro. A estética do mercado hoje reflete esse equilíbrio: embora a organização visual remeta ao passado, com produtos pendurados e o aroma característico de temperos e grãos, os processos administrativos e de atendimento estão sintonizados com as necessidades do século XXI.

Para o leitor brasileiro, a preservação de espaços como o Mercado Campineiro é fundamental para a manutenção da identidade cultural e econômica das cidades de médio e grande porte. Estes centros funcionam como polos de circulação de renda local, beneficiando pequenos produtores e mantendo viva a história urbana. A celebração dos 70 anos do Mercadinho é, portanto, um marco de resiliência. No futuro próximo, o desafio será continuar atraindo o público jovem, oferecendo uma alternativa sustentável e humanizada ao consumo de massa. Enquanto os shopping centers buscam criar ambientes artificiais de convivência, o Mercado Campineiro já oferece, há sete décadas, um espaço orgânico onde a economia pulsa através de histórias reais de vida e trabalho.

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