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Uso de 'bebida roxa' leva aluno de escola particular à UTI em Fortaleza e acende alerta médico

Estudante consumiu mistura tóxica de álcool e medicamentos conhecida como 'lean' dentro da unidade de ensino; caso está sob investigação policial.

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Redação 360 Notícia
22 de maio de 2026 às 01:003 min
Uso de 'bebida roxa' leva aluno de escola particular à UTI em Fortaleza e acende alerta médico
Foto: Reprodução
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Um estudante foi levado à UTI em Fortaleza após ingerir o coquetel "purple drank", que mistura álcool e remédios, dentro de escola particular. Médicos alertam para os riscos letais da prática popular entre jovens.

Um incidente grave em uma instituição de ensino particular de Fortaleza acendeu um alerta urgente para pais, educadores e autoridades de saúde nesta semana. Um estudante do Colégio Antares, localizado no bairro Papicu, precisou ser internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após consumir uma mistura perigosa de bebidas alcoólicas e diversos medicamentos dentro do ambiente escolar. O jovem apresentou um quadro severo de desorientação e letargia, exigindo intervenção médica imediata para evitar complicações fatais. Segundo as primeiras informações, a substância teria sido fornecida por outro aluno da mesma unidade de ensino, o que motivou a abertura de um boletim de ocorrência e a intervenção da Polícia Militar.

A mistura em questão é popularmente conhecida como "purple drank" ou "lean", uma combinação que se tornou fenômeno cultural entre jovens, frequentemente mencionada em letras de músicas e redes sociais. Originalmente surgida nos Estados Unidos, a bebida costuma levar xaropes à base de codeína, refrigerantes e balas, mas versões adaptadas no Brasil utilizam uma ampla gama de fármacos de venda livre. No caso registrado em Fortaleza, o coquetel era composto por gin misturado a anti-histamínicos de diferentes classes, além de analgésicos e anti-inflamatórios comuns, como dipirona e ibuprofeno. O perigo reside justamente na falsa sensação de segurança proporcionada pelo uso de remédios caseiros, que têm seu efeito sedativo drasticamente potencializado pelo álcool.

O médico Bruno Cavalcante, que prestou atendimento ao adolescente, utilizou suas redes sociais para fazer um desabafo e um alerta à sociedade. De acordo com o profissional, o paciente apresentava sinais de embriaguez atípica, demonstrando uma incapacidade severa de reconhecer pessoas ou articular frases coerentes. Cavalcante explicou que a combinação de álcool com medicamentos sedativos, como o Fenergan (prometazina), pode causar uma desaceleração perigosa das funções vitais. O sistema nervoso central é suprimido, levando à queda da pressão arterial, redução da frequência respiratória e, em casos mais graves, ao coma ou à parada cardiorrespiratória. A internação na UTI foi necessária justamente para monitorar essas funções básicas e garantir a estabilização do jovem.

A administração do Colégio Antares se manifestou por meio de nota oficial, afirmando que tomou todas as providências cabíveis assim que a situação foi detectada. A escola informou ter acionado as famílias dos envolvidos imediatamente e providenciado o socorro médico urgente. Além disso, a instituição ressaltou que está colaborando com as autoridades na apuração do caso, tendo registrado a ocorrência junto à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Policiais do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac) estiveram no local e os envolvidos foram encaminhados à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) para prestar esclarecimentos sobre como os medicamentos foram obtidos e introduzidos na escola.

Este episódio serve como um ponto de reflexão sobre os desafios da segurança escolar e a supervisão doméstica. Especialistas orientam que os pais fiquem atentos não apenas ao odor de álcool, mas a mudanças súbitas de comportamento, como sonolência excessiva, falta de coordenação motora e desorientação espacial. Outro ponto crucial é o controle do estoque de medicamentos em casa; o desaparecimento inexplicável de cartelas de anti-alérgicos ou analgésicos pode ser um indicativo de que o jovem está experimentando misturas tóxicas. A educação sobre os riscos reais dessas substâncias, muitas vezes glamorizadas na internet, é fundamental para prevenir que novas ocorrências como esta coloquem em risco a vida de estudantes em todo o país.

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