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Justiça das Bahamas oficializa liquidação do Banco Master e mira nove offshores

A decisão da Suprema Corte do país caribenho permite o rastreio de ativos e a investigação de nove empresas ligadas à instituição financeira.

Antonio Marcos de Souza
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Antonio Marcos de Souza
10 de junho de 2026 às 03:342 min
Justiça das Bahamas oficializa liquidação do Banco Master e mira nove offshores
Foto: Reprodução
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A Suprema Corte das Bahamas reconheceu a liquidação do Banco Master, permitindo o rastreio de ativos em nove offshores ligadas à instituição. A medida facilita a recuperação de valores e a cooperação internacional.

A Suprema Corte das Bahamas proferiu uma decisão fundamental para o andamento das investigações e recuperação de ativos relacionados ao Banco Master. O Judiciário local reconheceu oficialmente o processo de liquidação da instituição financeira, permitindo que os liquidantes nomeados tenham autoridade legal em solo bahamense. Essa movimentação é considerada um passo estratégico para rastrear o fluxo financeiro do banco fora das jurisdições brasileiras, estabelecendo um regime de cooperação internacional necessário para a análise de transações transfronteiriças.

O reconhecimento judicial nas Bahamas não ocorre de forma isolada, mas está inserido em um contexto de desmembramento de operações financeiras complexas. De acordo com os autos do processo, a Justiça do país caribenho identificou e citou nominalmente ao menos nove empresas offshore que possuem conexões diretas ou indiretas com a estrutura do Banco Master. A inclusão dessas companhias no processo de liquidação visa impedir a dissipação de bens e garantir que valores eventualmente desviados ou alocados em paraísos fiscais possam ser repatriados para o pagamento de credores e outras obrigações legais.

A investigação aponta que o uso dessas offshores servia para criar uma malha de operações que dificultava a fiscalização por parte dos órgãos reguladores. Com a decisão da Suprema Corte das Bahamas, os liquidantes passam a ter o poder de intimar administradores dessas empresas, acessar extratos bancários locais e solicitar a quebra de sigilo de registros corporativos. Esse nível de acesso é crucial para entender como o capital do Banco Master circulou antes e durante o anúncio de sua crise financeira e subsequente intervenção para liquidação.

As implicações dessa decisão são vastas para o mercado financeiro e para os stakeholders envolvidos. O reconhecimento jurídico em uma jurisdição conhecida pela proteção de dados financeiros sinaliza uma mudança na postura das Bahamas em colaborar com processos de falência e liquidação que envolvem crimes financeiros ou má gestão de recursos em outros países. Para os credores, a notícia traz uma expectativa de que a massa liquidante consiga ampliar o volume de ativos recuperáveis, uma vez que as operações internacionais costumam ocultar montantes significativos de capital.

Nos próximos passos, espera-se que os liquidantes apresentem relatórios detalhados sobre as descobertas realizadas a partir do acesso aos registros das nove offshores citadas. O processo continuará sob supervisão judicial rigorosa, tanto no Brasil quanto nas Bahamas, buscando a responsabilização de possíveis gestores envolvidos em irregularidades. O desenrolar dessa cooperação internacional servirá também como um precedente para outros casos de instituições financeiras brasileiras que utilizam estruturas societárias no exterior para gerir seu patrimônio de maneira opaca.

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