Alagoas ocupa o 4º lugar no ranking nacional de mortes violentas, revela levantamento anual
Com taxa de 33,1 mortes por 100 mil habitantes, estado figura entre os mais violentos do Brasil em 2025, enquanto país registra queda geral nos homicídios.

Alagoas registrou 1.066 mortes violentas em 2025, atingindo uma taxa de 33,1 óbitos por 100 mil habitantes, a quarta maior marca do Brasil segundo o Anuário de Segurança Pública.
O estado de Alagoas figura em uma posição preocupante no cenário nacional de criminalidade, conforme apontam os dados mais recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que a unidade federativa ocupa a quarta colocação entre os estados com as maiores taxas de mortes violentas intencionais (MVI) do país. Os números, referentes ao consolidado do ano de 2025, expõem os desafios persistentes na gestão da segurança pública local, contrastando com tendências observadas em outras regiões do território brasileiro no mesmo período analisado.
De acordo com o relatório detalhado, Alagoas registrou um total de 1.066 mortes violentas intencionais ao longo de 2025. Em termos estatísticos, isso representa uma taxa alarmante de 33,1 ocorrências para cada grupo de 100 mil habitantes. A categoria de mortes violentas intencionais engloba crimes graves como homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenção policial. Estar entre os cinco estados mais violentos do Brasil sinaliza uma necessidade urgente de revisão das políticas de repressão e prevenção ao crime organizado e à violência interpessoal na região nordestina.
Enquanto Alagoas enfrenta dificuldades para reduzir seus índices de criminalidade letal, o cenário nacional apresentou uma dinâmica heterogênea durante o último ano. O Brasil, como um todo, registrou uma queda de 8% no número total de mortes violentas, totalizando 40.775 casos em 2025. Este é o menor patamar alcançado pelo país desde o início da série histórica em 2012. No entanto, essa redução global não foi acompanhada pela diminuição da violência de gênero. O país atingiu um recorde histórico no número de feminicídios, com uma média devastadora de quatro mulheres mortas diariamente por sua condição de gênero, evidenciando uma lacuna crítica na proteção às vítimas vulneráveis.
A discrepância entre a queda nacional das mortes violentas e a alta taxa mantida em Alagoas sugere que fatores locais, como a atuação de grupos criminosos e a vulnerabilidade socioeconômica, continuam exercendo forte influência na capital e no interior do estado. A análise dos dados sugere que as estratégias que estão gerando resultados positivos em outras unidades da federação podem não estar sendo eficazes ou aplicadas com a mesma intensidade no contexto alagoano. A pressão sobre os órgãos de segurança pública aumenta à medida que o estado se mantém no topo de um ranking negativo que impacta diretamente a qualidade de vida da população e a percepção de segurança.
Diante da exposição dos dados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a gestão estadual de Alagoas adotou uma postura cautelar. Questionado sobre os números apresentados, o Governo do Estado informou que submeterá o relatório a uma análise técnica interna por parte de sua equipe de inteligência e estatística antes de emitir qualquer comunicado oficial ou anunciar novas metas de combate ao crime. Especialistas em segurança pública defendem que, para reverter esse quadro, é necessário um investimento que ultrapasse o reforço policial, focando também em inteligência investigativa e programas sociais voltados para jovens em áreas de risco, visando diminuir a incidência de crimes contra a vida nos próximos ciclos avaliados.

